domingo, 12 de agosto de 2018
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018
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terça-feira, 7 de agosto de 2018
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domingo, 9 de julho de 2017
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
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domingo, 24 de julho de 2011
Figuras de sintaxe
Figuras de sintaxe
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Micome casualmente encontra Dacongosto na fila do caixa do supermercado. Ao se deparar com ela, corre a cumprimentá-la com um abraço e um beijo no rosto. Entabula conversa:
- Oi chuchu, quanto tempo...!!!
- É Messsssssssmo...! Um bocado! E ai: tudo bem?
- Melhor agora, Da. Chuchu mata uma curiosidade minha: é impressão ou você anda sumida do pedaço?
- Impressão. Todo dia aqui.
- Não tem “aparecido” lá em casa!
- Falta de tempo. Estou com Barbosa, o pedreiro. Ele me aluga o dia inteiro.
- Ué! Não sabia que você havia dispensado o Fuzil...!!!
- De onde tirou essa idéia?
- Ora, Chuchu, você acabou de falar que largou do Fuzil...!!!
- Em absoluto. Lembro ter dito estar com o pedreiro...
-... Ah!... Agora entendi. Imaginei que você mais o Fuzil...
-... Nada a ver, cara. Ficou maluco?
- Desculpa. Quando você mencionou o Barbosa, pedreiro, eu deduzi outra parada... Foi mal!
- Bota mal nisso, meu caro. Acha que eu teria coragem de trocar o meu Fuzil por um pedreiro? Ainda mais o Barbosa! Sabe quem é o Barbosa, não sabe?
- Claro. A galera em peso aqui nas redondezas conhece a figura. Ele andou fazendo uns serviçinhos pra mamãe. Excelente profissional... Nada a reclamar...
- Pois então: contratei o moço pra acabar de tocar a obra.
- Pelo menos agora a coisa anda, Chuchu. O Barbosa é muito responsável.
- Que idéia foi essa de imaginar que eu mandei o Fuzil sumir da área?
- Nunca se sabe Chuchu, nunca se sabe. Vocês, mulheres, são doidas e imprevisíveis. A minha não me deu um pé no traseiro por causa do Barata?
- Fazer o que, né? Vai ver a tara dela é correr atrás de insetos.
- Não entendi a piada!
- Deixa prá lá. Bobeira minha. Fala das novidades que estão rolando...
-... Por enquanto, nada de novo.
- E o escritório?
- Fechei uma parceria com o Zé dos Pirulitos.
- Aquele dos doces?
- Esse messsssssssmo.
- Então você vai passar a vender balas e brigadeiros?
- A idéia é exatamente essa.
- Pensei que ele só comercializasse pirulitos.
- Ledo engano, amiga. O Zé vende de tudo: bananada, amendoim, jujuba, chiclete, chocolate... Enfim, há uma variedade enorme de produtos.
- E por que o apelido?
- Bem, Dacongosto, esse fato não é desconhecido pra ninguém aqui do bairro. Você mesma sabe o motivo da alcunha. Ele anda pra baixo e pra cima com um pirulito enfiado no canto da boca.
- Cuidado, Micome.
- Por quê?
- Você pode gostar do babado e passar a circular com um enterrado entre os dentes. Imagine a cena...
- To fora, Da. To fora! Não gosto de pirulito. Aliás, odeio qualquer tipo de produto que contenha açúcar.
- Explica então como esse foi parar no seu bolso!
Micome se abre num sorriso amarelo. Parece furioso com a observação meio que marota da companheira de periferia. Tenta explicar, sem complicar:
- Quando vinha pra cá, o Zé cruzou comigo. A gente iniciou um papo e ele acabou me dando um pra Tuniquinha.
- Posso fazer uma observação? Você leva jeito pra carregar pirulito no bolso. O papel celofane desse ai combinou com a sua camisa. Sei não...!!!
- Qualé, Dacongosto. Resolveu fazer hora comigo? Sou homem. E macho!
- Mamão é macho e é fruta.
- Sou espada.
- Espada também vive metida em bainha...
- Vamos deixar de lado esse papo furado. Antes que me esqueça: você está enrolando, Da. Que história é essa da minha ex ter me trocado por insetos?
- Bobeira, Micome. Falei pra encher seu saco. Você sabe que gosto muito do Fuzil. Acha que teria peito pra trocar meu namorado?
- Peito você tem... De sobra...!!!
Ambos caem na gargalhada. Dacongosto, todavia, alfineta Micome e observa muito séria:
- Tenho categoria, isso sim. Imagine eu abandonar o Fuzil pelo pedreiro! E pior, logo pelo Barbosa...
-... Sei lá. Vai ver o prumo do Barbosa é mais interessante do que o gatilho do Fuzil...!!!
- Pirou, Micome? Endoidou o cabeção? Deu agora pra viajar na maionese?
- Acha que estou viajando?
- Acho.
- Messsssssssmo?
- Messsssssssmo...!!!
- Vamos almoçar lá em casa? Aproveita que o Fuzil não está por perto...
- Até que não seria má idéia. Porém, pesando os prós e contras, você sabe que o Fuzil é maluco e pode chegar num abrir e fechar de olhos. Já pensou na hipótese dele estar por ai disfarçado de cachorro?
- E qual seria o problema, Da? Vamos supor que ele chegue aqui agora. Imediatamente eu me disfarçaria de pneu de automóvel.
- Chiiiiiiiii...!!! Não iria prestar. Esquece o almoço. Cada um no seu canto.
- Por quê? Me de um motivo justificável.
- Fuzil com certeza puxaria o gatilho e daria uma bela mijada em você.
(*) Aparecido Raimundo de Souza, 58 anos é jornalista.
Contatos:
Twitter:
@ARSESCRITOR
E-mail:
aparecidoraimundodesouza@gmail.com
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Micome casualmente encontra Dacongosto na fila do caixa do supermercado. Ao se deparar com ela, corre a cumprimentá-la com um abraço e um beijo no rosto. Entabula conversa:
- Oi chuchu, quanto tempo...!!!
- É Messsssssssmo...! Um bocado! E ai: tudo bem?
- Melhor agora, Da. Chuchu mata uma curiosidade minha: é impressão ou você anda sumida do pedaço?
- Impressão. Todo dia aqui.
- Não tem “aparecido” lá em casa!
- Falta de tempo. Estou com Barbosa, o pedreiro. Ele me aluga o dia inteiro.
- Ué! Não sabia que você havia dispensado o Fuzil...!!!
- De onde tirou essa idéia?
- Ora, Chuchu, você acabou de falar que largou do Fuzil...!!!
- Em absoluto. Lembro ter dito estar com o pedreiro...
-... Ah!... Agora entendi. Imaginei que você mais o Fuzil...
-... Nada a ver, cara. Ficou maluco?
- Desculpa. Quando você mencionou o Barbosa, pedreiro, eu deduzi outra parada... Foi mal!
- Bota mal nisso, meu caro. Acha que eu teria coragem de trocar o meu Fuzil por um pedreiro? Ainda mais o Barbosa! Sabe quem é o Barbosa, não sabe?
- Claro. A galera em peso aqui nas redondezas conhece a figura. Ele andou fazendo uns serviçinhos pra mamãe. Excelente profissional... Nada a reclamar...
- Pois então: contratei o moço pra acabar de tocar a obra.
- Pelo menos agora a coisa anda, Chuchu. O Barbosa é muito responsável.
- Que idéia foi essa de imaginar que eu mandei o Fuzil sumir da área?
- Nunca se sabe Chuchu, nunca se sabe. Vocês, mulheres, são doidas e imprevisíveis. A minha não me deu um pé no traseiro por causa do Barata?
- Fazer o que, né? Vai ver a tara dela é correr atrás de insetos.
- Não entendi a piada!
- Deixa prá lá. Bobeira minha. Fala das novidades que estão rolando...
-... Por enquanto, nada de novo.
- E o escritório?
- Fechei uma parceria com o Zé dos Pirulitos.
- Aquele dos doces?
- Esse messsssssssmo.
- Então você vai passar a vender balas e brigadeiros?
- A idéia é exatamente essa.
- Pensei que ele só comercializasse pirulitos.
- Ledo engano, amiga. O Zé vende de tudo: bananada, amendoim, jujuba, chiclete, chocolate... Enfim, há uma variedade enorme de produtos.
- E por que o apelido?
- Bem, Dacongosto, esse fato não é desconhecido pra ninguém aqui do bairro. Você mesma sabe o motivo da alcunha. Ele anda pra baixo e pra cima com um pirulito enfiado no canto da boca.
- Cuidado, Micome.
- Por quê?
- Você pode gostar do babado e passar a circular com um enterrado entre os dentes. Imagine a cena...
- To fora, Da. To fora! Não gosto de pirulito. Aliás, odeio qualquer tipo de produto que contenha açúcar.
- Explica então como esse foi parar no seu bolso!
Micome se abre num sorriso amarelo. Parece furioso com a observação meio que marota da companheira de periferia. Tenta explicar, sem complicar:
- Quando vinha pra cá, o Zé cruzou comigo. A gente iniciou um papo e ele acabou me dando um pra Tuniquinha.
- Posso fazer uma observação? Você leva jeito pra carregar pirulito no bolso. O papel celofane desse ai combinou com a sua camisa. Sei não...!!!
- Qualé, Dacongosto. Resolveu fazer hora comigo? Sou homem. E macho!
- Mamão é macho e é fruta.
- Sou espada.
- Espada também vive metida em bainha...
- Vamos deixar de lado esse papo furado. Antes que me esqueça: você está enrolando, Da. Que história é essa da minha ex ter me trocado por insetos?
- Bobeira, Micome. Falei pra encher seu saco. Você sabe que gosto muito do Fuzil. Acha que teria peito pra trocar meu namorado?
- Peito você tem... De sobra...!!!
Ambos caem na gargalhada. Dacongosto, todavia, alfineta Micome e observa muito séria:
- Tenho categoria, isso sim. Imagine eu abandonar o Fuzil pelo pedreiro! E pior, logo pelo Barbosa...
-... Sei lá. Vai ver o prumo do Barbosa é mais interessante do que o gatilho do Fuzil...!!!
- Pirou, Micome? Endoidou o cabeção? Deu agora pra viajar na maionese?
- Acha que estou viajando?
- Acho.
- Messsssssssmo?
- Messsssssssmo...!!!
- Vamos almoçar lá em casa? Aproveita que o Fuzil não está por perto...
- Até que não seria má idéia. Porém, pesando os prós e contras, você sabe que o Fuzil é maluco e pode chegar num abrir e fechar de olhos. Já pensou na hipótese dele estar por ai disfarçado de cachorro?
- E qual seria o problema, Da? Vamos supor que ele chegue aqui agora. Imediatamente eu me disfarçaria de pneu de automóvel.
- Chiiiiiiiii...!!! Não iria prestar. Esquece o almoço. Cada um no seu canto.
- Por quê? Me de um motivo justificável.
- Fuzil com certeza puxaria o gatilho e daria uma bela mijada em você.
(*) Aparecido Raimundo de Souza, 58 anos é jornalista.
Contatos:
Twitter:
@ARSESCRITOR
E-mail:
aparecidoraimundodesouza@gmail.com
segunda-feira, 24 de maio de 2010
EM TUDO O QUE FAZEMOS NESTA VIDA SEMPRE HAVERÁ DE COMEÇAR PELA PRIMEIRA VEZ.
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Em Mogi das Cruzes, São Paulo, existe um jornal de grande circulação, chamado “O Diário” que abrande várias cidades, como Suzano, Estudantes e Ferraz de Vasconcelos, entre outras. Numa de suas edições, ou mais precisamente no dia 6 de abril deste ano, na coluna “Caderno A”, do meu amigo e companheiro Chico Ornellas, grande jornalista e também membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ele fez publicar, a preciosidade que abaixo faço transcrever, na íntegra. Tive o cuidado de mandar para o Ornellas um e-mail indagando se o texto era de sua lavra, ou não, e, se a resposta fosse negativa, se o prezado saberia declinar o nome do verdadeiro autor. Mas o meu amigo Chico, ocupado, como sempre, não me respondeu. Uma pena. Dessa forma, como achei o conteúdo do trabalho muito interessante e, mais que isso, de profundo cunho psicológico, resolvi publicar, até porque, além da simplicidade contida no texto, ele se torna denso e ao mesmo tempo meditativo. Nos leva a parar e a refletir um pouco mais sobre a nossa primeira vez. Em tudo o que fazemos, nessa vida, há sempre a primeira vez. Me perdoe, velho Chico, se não esperei por sua autorização; mil desculpas por não ter insistido com você, num outro e-mail, ou telefonado para a redação. Quero que entenda que o texto me tocou tão dentro da alma, que resolvi correr, pela primeira vez, o risco do colega brigar comigo pela primeira vez; zangar comigo pela primeira vez; me processar pela primeira vez; enfim, pela primeira vez; acho que o meu público, como o seu, tem o direito de compartilhar de momentos bons, de palavras lindas e alentadoras, como as contidas nesse trabalho. Mande notícias, meu velho. Ai vai, portanto, amigo Chico, em sua homenagem, e em nome da nossa amizade, o magnânimo e literalmente perfeito “QUAL A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ?”. Em especial dedico a todos os meus leitores.
Eu nasci pela primeira vez...
Eu falei pela primeira vez, eu andei pela primeira vez, eu corri pela primeira vez; eu caí pela primeira vez; eu namorei pela primeira vez; eu casei pela primeira vez; eu briguei pela primeira vez; eu beijei pela primeira vez; eu assinei um cheque pela primeira vez; eu tive um cheque recusado pela primeira vez; eu tive um titulo protestado pela primeira vez; eu tive um amigo importante pela primeira vez; eu fui importante por um minuto pela primeira vez; eu comprei a credito na Casa Bahia pela primeira vez; eu viajei de avião pela primeira vez; eu fui de subúrbio para São Paulo pela primeira vez; eu subi ao topo do Empire State Building pela primeira vez; eu vi as luzes de Paris pela primeira vez; eu assisti a um show da Brodway pela primeira vez; eu fui ao Museu do Ipiranga pela primeira vez; eu cumprimentei Pietro Maria Bardi pela primeira vez; eu votei em Junji Abe pela primeira vez; eu fumei um cigarro pela primeira vez; eu me apaixonei pela primeira vez; eu recebi um salário pela primeira vez; eu fui demitido pela primeira vez; eu fui promovido pela primeira vez; eu andei de bicicleta pela primeira vez; eu atravessei o Atlântico pela primeira vez; eu paguei um sepultamento pela primeira vez; eu assinei um jornal pela primeira vez; eu tive uma relação sexual pela primeira vez; eu atravessei o Canal da Mancha de trem pela primeira vez; eu andei nas balsas do Guarujá pela primeira vez; eu fui a Niterói de balsa pela primeira vez; eu xinguei o programa do Faustão pela primeira vez; eu assisti “E o Vento Levou” pela primeira vez; eu dirigi um carro pela primeira vez; eu levei uma multa pela primeira vez; eu desobedeci meu pai pela primeira vez; eu fui ao cinema pela primeira vez; eu fui ao teatro pela primeira vez; eu fui a zona pela primeira vez; eu assisti a um strip tease pela primeira vez; eu comi um Bife Esquisito pela primeira vez; eu tomei um porre pela primeira vez; eu fui à praia pela primeira vez; eu vi o mar pela primeira vez; eu namorei em Paquetá pela primeira vez; eu visitei a Cruz do Século pela primeira vez; eu fui a Sabaúna pela primeira vez; eu dancei ao som de Conniff pela primeira vez; eu cantei uma música de Chico Buarque pela primeira vez; eu assobiei o tema de “A Ponte do Rio Kwai” pela primeira vez; eu desfilei em uma escola de samba pela primeira vez; eu subi no Pão de Açúcar pela primeira vez; eu tomei uma caipirinha pela primeira vez; eu torci pelo Corinthians pela primeira vez; eu decidir torcer pelo Corinthians pela primeira vez; eu iniciei um regime pela primeira vez; eu parei de fumar pela primeira vez; eu briguei com um filho pela primeira vez; eu tive uma diarréia no aniversário do sogro pela primeira vez; eu passei de ano pela primeira vez; eu fui reprovado pela primeira vez; eu entrei na faculdade pela primeira vez; eu tive meu emprego pela primeira vez; eu perdi uma namorada pela primeira vez; eu discuti no trânsito pela primeira vez; eu comemorei a vitória do Brasil na Copa do Mundo pela primeira vez; eu chorei a derrota do Brasil na Copa do Mundo pela primeira vez; eu dormi em Roma pela primeira vez; eu acordei em Venesa pela primeira vez; eu tomei cerveja em frente a Catedral de Colonia pela primeira vez; eu comunguei pela primeira vez; eu rezei por São Longuinho pela primeira vez; eu fiz xixi no Hyde Park em Londres pela primeira vez; eu acertei meu relógio pelo Big Bem pela primeira vez; eu torci numa Braz-Col pela primeira vez; eu sai na fanfarra do Liceu Braz Cubas pela primeira vez; eu arranquei um dente pela primeira vez; eu colei na prova de matemática pela primeira vez; eu tomei um uísque sem gelo no La Lícornepela primeira vez; eu reclamei da cerveja quente na Sula pela primeira vez; eu saí na coluna do Mutso Yozhizawa pela primeira vez; eu paguei entrada inteira no cinema pela primeira vez; eu paguei meia entrada de idoso no teatro pela primeira vez; eu marquei encontro na porta do Mappin pela primeira vez; eu fiquei sabendo que papai Noel não existe pela primeira vez; eu acordei domingo pensando que era segunda feira pela primeira vez; eu sonhei que era neozelandez pela primeira vez; eu tomei vacina no consultório do doutor Zenon pela primeira vez; eu peguei uma gripe pela primeira vez; eu tive dor de cabeça pela primeira vez; eu fiquei devendo na padaria pela primeira vez; eu engasguei com espinho de peixe pela primeira vez; eu dei topada na calçada pela primeira vez; eu martelei o dedo pela primeira vez; eu comi caviar pela primeira vez; eu comunguei em Aparecida pela primeira vez; eu bati com a cabeça no poste pela primeira vez; eu comprei um carro pela primeira vez; eu paguei a conta do restaurante pela primeira vez; eu fui hospede do Copacabana Palace pela primeira vez; eu pesquei no Rio Paraguai pela primeira vez; eu pulei no rancho do Náutico pela primeira vez; eu chamei o Carlito de “ceguinho” pela primeira vez; eu confessei com o padre Roque pela primeira vez; eu troquei pneu de meu carro pela primeira vez; eu vendi um carro pela primeira vez; eu sujei na cueca pela primeira vez; eu passei pelo Cemitério de Paraibuna pela primeira vez; eu dormi no Hotel Binder pela primeira vez; eu fui de trem para Aquidauana pela primeira vez; eu subi na cabeça da Estátua da Liberdade pela primeira vez; eu arrematei um boné em um leilão de Wichita pela primeira vez; eu namorei no trem de Madri a Paris pela primeira vez; eu fui pai pela primeira vez; eu fui avô pela primeira vez.
Eu morri pela primeira vez...
(*) Aparecido Raimundo de Souza, 57 anos é jornalista .
e-mail para contatos: aparecidoraimundodesouza@gmail.om
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Em Mogi das Cruzes, São Paulo, existe um jornal de grande circulação, chamado “O Diário” que abrande várias cidades, como Suzano, Estudantes e Ferraz de Vasconcelos, entre outras. Numa de suas edições, ou mais precisamente no dia 6 de abril deste ano, na coluna “Caderno A”, do meu amigo e companheiro Chico Ornellas, grande jornalista e também membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ele fez publicar, a preciosidade que abaixo faço transcrever, na íntegra. Tive o cuidado de mandar para o Ornellas um e-mail indagando se o texto era de sua lavra, ou não, e, se a resposta fosse negativa, se o prezado saberia declinar o nome do verdadeiro autor. Mas o meu amigo Chico, ocupado, como sempre, não me respondeu. Uma pena. Dessa forma, como achei o conteúdo do trabalho muito interessante e, mais que isso, de profundo cunho psicológico, resolvi publicar, até porque, além da simplicidade contida no texto, ele se torna denso e ao mesmo tempo meditativo. Nos leva a parar e a refletir um pouco mais sobre a nossa primeira vez. Em tudo o que fazemos, nessa vida, há sempre a primeira vez. Me perdoe, velho Chico, se não esperei por sua autorização; mil desculpas por não ter insistido com você, num outro e-mail, ou telefonado para a redação. Quero que entenda que o texto me tocou tão dentro da alma, que resolvi correr, pela primeira vez, o risco do colega brigar comigo pela primeira vez; zangar comigo pela primeira vez; me processar pela primeira vez; enfim, pela primeira vez; acho que o meu público, como o seu, tem o direito de compartilhar de momentos bons, de palavras lindas e alentadoras, como as contidas nesse trabalho. Mande notícias, meu velho. Ai vai, portanto, amigo Chico, em sua homenagem, e em nome da nossa amizade, o magnânimo e literalmente perfeito “QUAL A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ?”. Em especial dedico a todos os meus leitores.
Eu nasci pela primeira vez...
Eu falei pela primeira vez, eu andei pela primeira vez, eu corri pela primeira vez; eu caí pela primeira vez; eu namorei pela primeira vez; eu casei pela primeira vez; eu briguei pela primeira vez; eu beijei pela primeira vez; eu assinei um cheque pela primeira vez; eu tive um cheque recusado pela primeira vez; eu tive um titulo protestado pela primeira vez; eu tive um amigo importante pela primeira vez; eu fui importante por um minuto pela primeira vez; eu comprei a credito na Casa Bahia pela primeira vez; eu viajei de avião pela primeira vez; eu fui de subúrbio para São Paulo pela primeira vez; eu subi ao topo do Empire State Building pela primeira vez; eu vi as luzes de Paris pela primeira vez; eu assisti a um show da Brodway pela primeira vez; eu fui ao Museu do Ipiranga pela primeira vez; eu cumprimentei Pietro Maria Bardi pela primeira vez; eu votei em Junji Abe pela primeira vez; eu fumei um cigarro pela primeira vez; eu me apaixonei pela primeira vez; eu recebi um salário pela primeira vez; eu fui demitido pela primeira vez; eu fui promovido pela primeira vez; eu andei de bicicleta pela primeira vez; eu atravessei o Atlântico pela primeira vez; eu paguei um sepultamento pela primeira vez; eu assinei um jornal pela primeira vez; eu tive uma relação sexual pela primeira vez; eu atravessei o Canal da Mancha de trem pela primeira vez; eu andei nas balsas do Guarujá pela primeira vez; eu fui a Niterói de balsa pela primeira vez; eu xinguei o programa do Faustão pela primeira vez; eu assisti “E o Vento Levou” pela primeira vez; eu dirigi um carro pela primeira vez; eu levei uma multa pela primeira vez; eu desobedeci meu pai pela primeira vez; eu fui ao cinema pela primeira vez; eu fui ao teatro pela primeira vez; eu fui a zona pela primeira vez; eu assisti a um strip tease pela primeira vez; eu comi um Bife Esquisito pela primeira vez; eu tomei um porre pela primeira vez; eu fui à praia pela primeira vez; eu vi o mar pela primeira vez; eu namorei em Paquetá pela primeira vez; eu visitei a Cruz do Século pela primeira vez; eu fui a Sabaúna pela primeira vez; eu dancei ao som de Conniff pela primeira vez; eu cantei uma música de Chico Buarque pela primeira vez; eu assobiei o tema de “A Ponte do Rio Kwai” pela primeira vez; eu desfilei em uma escola de samba pela primeira vez; eu subi no Pão de Açúcar pela primeira vez; eu tomei uma caipirinha pela primeira vez; eu torci pelo Corinthians pela primeira vez; eu decidir torcer pelo Corinthians pela primeira vez; eu iniciei um regime pela primeira vez; eu parei de fumar pela primeira vez; eu briguei com um filho pela primeira vez; eu tive uma diarréia no aniversário do sogro pela primeira vez; eu passei de ano pela primeira vez; eu fui reprovado pela primeira vez; eu entrei na faculdade pela primeira vez; eu tive meu emprego pela primeira vez; eu perdi uma namorada pela primeira vez; eu discuti no trânsito pela primeira vez; eu comemorei a vitória do Brasil na Copa do Mundo pela primeira vez; eu chorei a derrota do Brasil na Copa do Mundo pela primeira vez; eu dormi em Roma pela primeira vez; eu acordei em Venesa pela primeira vez; eu tomei cerveja em frente a Catedral de Colonia pela primeira vez; eu comunguei pela primeira vez; eu rezei por São Longuinho pela primeira vez; eu fiz xixi no Hyde Park em Londres pela primeira vez; eu acertei meu relógio pelo Big Bem pela primeira vez; eu torci numa Braz-Col pela primeira vez; eu sai na fanfarra do Liceu Braz Cubas pela primeira vez; eu arranquei um dente pela primeira vez; eu colei na prova de matemática pela primeira vez; eu tomei um uísque sem gelo no La Lícornepela primeira vez; eu reclamei da cerveja quente na Sula pela primeira vez; eu saí na coluna do Mutso Yozhizawa pela primeira vez; eu paguei entrada inteira no cinema pela primeira vez; eu paguei meia entrada de idoso no teatro pela primeira vez; eu marquei encontro na porta do Mappin pela primeira vez; eu fiquei sabendo que papai Noel não existe pela primeira vez; eu acordei domingo pensando que era segunda feira pela primeira vez; eu sonhei que era neozelandez pela primeira vez; eu tomei vacina no consultório do doutor Zenon pela primeira vez; eu peguei uma gripe pela primeira vez; eu tive dor de cabeça pela primeira vez; eu fiquei devendo na padaria pela primeira vez; eu engasguei com espinho de peixe pela primeira vez; eu dei topada na calçada pela primeira vez; eu martelei o dedo pela primeira vez; eu comi caviar pela primeira vez; eu comunguei em Aparecida pela primeira vez; eu bati com a cabeça no poste pela primeira vez; eu comprei um carro pela primeira vez; eu paguei a conta do restaurante pela primeira vez; eu fui hospede do Copacabana Palace pela primeira vez; eu pesquei no Rio Paraguai pela primeira vez; eu pulei no rancho do Náutico pela primeira vez; eu chamei o Carlito de “ceguinho” pela primeira vez; eu confessei com o padre Roque pela primeira vez; eu troquei pneu de meu carro pela primeira vez; eu vendi um carro pela primeira vez; eu sujei na cueca pela primeira vez; eu passei pelo Cemitério de Paraibuna pela primeira vez; eu dormi no Hotel Binder pela primeira vez; eu fui de trem para Aquidauana pela primeira vez; eu subi na cabeça da Estátua da Liberdade pela primeira vez; eu arrematei um boné em um leilão de Wichita pela primeira vez; eu namorei no trem de Madri a Paris pela primeira vez; eu fui pai pela primeira vez; eu fui avô pela primeira vez.
Eu morri pela primeira vez...
(*) Aparecido Raimundo de Souza, 57 anos é jornalista .
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