Caminho sem volta
Aparecido Raimundo de Souza
“A jornada através das sombras que agora vamos acompanhar poderia ser a nossa jornada”.
Rod Serling.
Ana Angélica sente sua alma rés ao chão. A mente rodopia por fronteiras indistintas e instâncias opacas, numa bagunça tremendamente incontrolável. Marcha dentro de si um troço pesado que sufoca o corpo inteiro. A cabeça parece cindida em mil pedaços. As vistas estão enfermas embaixo dos óculos de grau vencido. No peito, o coração teima acelerar descompassado, como se alguma coisa anormal o estivesse agitando. As pernas bambeiam, os pés doem apertados dentro dos sapatos de coriáceo vagabundo. Até as roupas que lhe cobrem a nudez, pesam como chumbo sobre o corpo magro. Atrelado a isto, estranho mal súbito insistindo dominar o ambiente como se o universo fosse acabar no próximo minuto.
Por que a modorra apática, e a desagradável sensação de fadiga lhe transformando a carcaça em estrupício? E olha que só contava poucos anos de idade...
Aquele dia (como tantos outros) transcorreu pesado e frio, com a mesma miscelânea circense de sempre. As horas lhe enterraram num sepulcro hostil e inviolável, como se a vida lhe tivesse tamponado num buraco fundo e sem retorno. E aquele maldito quarto desgraçadamente iluminado completava o quadro dantesco da triste e malfadada sina. Tentara, por diversas vezes, dominar o astral, escapar da turbulência repulsiva; fugir da alienação inconcebível e poderosa. Mas o espírito perturbado a colocava em posição inferior, totalmente sem forças, carente e muito só. Outras ninfetas zombavam da sua cara, escarniavam pontos frágeis, motejavam de sua posição ridícula. Na verdade, a galera em peso aguardava pacientemente sua entrada nos labirintos obscuros da neurastenia.
Com os pensamentos embaralhados e em tumulto desordenado, se perguntava aflita, como caíra tão rapidamente naquela incúria, deixando-se levar pelo injustificado das incertezas e das horas tediosas da solidão? Onde ficara, onde deixara a vontade de vencer os obstáculos, transpor barreiras e saltar infortúnios inesperados?
Sem obter respostas à altura dessas indagações, Ana Angélica lamentava ter deixado o acaso dominar sua existência a ponto de vegetar ao deus-dará. Afinal de contas, qual o motivo, ou melhor, o que ensejou toda aquela transformação em sua curta jornada?
Pôs-se, de repente, a lembrar o passado. Ah, o passado! Fazia pouco mais de seis ou sete meses, seu pai lhe colocara no olho da rua. Motivo? Uma gravidez indesejável. Até então Ana Angélica era a melhor filha do mundo. Com a revelação do exame laboratorial feito às pressas, a bela perdeu a posição de “princesa” para aquele cidadão que gozava da mais alta reputação na cidade. Na verdade, o tal cidadão se constituía na autoridade máxima do judiciário local: o juiz! Como representante da lei e da ordem, o matriarca precisava dar exemplo. Nesse pensar, o velho genitor virou-lhe as costas mostrando a porta da rua e escancarando a crueldade que começava do portão que se abria para os infortúnios e contratempos da sorte. A decadência da moça tornou-se maior ao procurar abrigo na casa do namoradinho que lhe jurara amor eterno. Onde ficara esse amor? Leandro, o pai da criança, descendente de tradicional família, ao saber da novidade da prenhez, deu linha à pipa, jogou para o alto os anos de faculdade, o consultório, a clínica cardiológica, os clientes e, o que é pior, o comodismo de viver às expensas paterna. Na surdina, escudado pela calada da noite, o doutorzinho deixou o lugarejo à horizontes ignorados.
Em povoados de extensão limitada, um fato inusitado voa na velocidade da luz. Estar grávida, a filha única do juiz, naquele fim de mundo, onde Judas perdera as botas, num piscar de olhos e sem muito esforço, uma tragédia familiar comum nas grandes metrópoles se agigantava. Virara chacota na boca suja do povo em questão de segundos. E foi o que aconteceu. Envergonhada, sem comida e teto, e ainda, a agravante da fuga do pai da criança, a solução plausível culminou por embarcar no primeiro trem. Veio com mala e cuia, aportar em São Paulo, ou mais precisamente na Estação da Luz. Sem condições de sobrevivência, não demorou encontrar os degraus mal cheirosos da prostituição. Neles, Ana mergulhou de cabeça até a raiz dos cabelos.
Bonita, formosa e gentil, não lhe faltavam noitadas regadas a cervejas e bebidas baratas. Os fregueses variavam: ora saia com um marginal, outra carregava para a cama um gringo desses bem nojentos. As vezes dormia com almofadinhas elegantes, casquilhos vestidos a rigor ou efeminados. A maioria deles, entretanto, um ponto em comum. Drogados e viciados em maconha e cocaína. Norte igual, o espaço que mediava entre a concepção e o nascimento não interrompia a hora derradeira, ao contrário, diminuía, diminuía, diminuía...
Nessa pressa de vida fácil, o tempo corre com rapidez impossível. Voava, para Ana Angélica, como um pégaso desgovernado, trotando atabalhoadamente na direção do despenhadeiro fatal. Atiçada pela elevada valorização do corpinho esbelto e garboso, a matrona - dona do bordel, não perdia clientes - longe disso -, multiplicava o conjunto de paroquianos como fieis num culto religioso.
Os que freqüentavam o prostíbulo só queriam desfrutar dos chamegos e das carícias daquela elegante bem proporcionada e sensual, segundo eles, caída do céu, como um anjo em forma de gente. Por essa razão, a cafetina, conhecida como ”Maria Padilha”, a partir do momento em que resolvera abrigar a pequena pérola nacarada, mudou de vida. Como cobrava alto pela exploração da garota, logo expandiu os negócios. Adquiriu dois bons apartamentos no Largo do Arouche, outros no Treme-Treme, na Rua Paim, na Bela Vista e uma quitinete no Edifício Copan, além de um carro zero para desfilar.
Com a mente em desalinho, e sem um policiamento ostensivo para conter a avalanche de misérias e penúrias que atormentava, Ana Angélica continuava a se questionar dessas mudanças bruscas, quando, entrementes, lembrou de uma arma que a colega, que dividia o quarto, guardava num das gavetas da prateleira. Resoluta, impassível, caminhou até lá. Precisava agir rapidamente. Logo a parceira retornaria do programa que fora fazer. Abriu o velho móvel. Lá estava, como imaginava, o final feliz para o seu rosário de dissabores. Um trinta e oito, cano curto, cabo em madre pérola, municiado, descansava envolto entre cachimbos para crack, buchinhas de maconha, calcinhas sujas e sutiãs rasgados. Decidida a não voltar atrás, apanhou o revolver. Segurou as feições contraídas, onde um medo inesperado e quase a saltar boca a fora deixou-lhe, por breves segundos, o corpo em estado de choque. Lentamente se acomodou na banqueta diante do espelho com um pedaço de vidro faltando numa das extremidades. Precisava seguir em frente. Vencer o medo. Não podia titubear. E não o faria.
“- Adeus mundo. Adeus, vida! Meu pai, minha mãe. Por favor, me desculpem!...”.
Num derradeiro ímpeto materno, alisou a barriga, massageando a carinhosa e demoradamente. Oito meses e meio. Oito longos meses... Seria um menino ou uma menina? Que importância teria, ou faria, esse pormenor, agora?
Sem assistência médica e condições de visitar um ginecologista, o feto sobrevivia a trancos e barrancos. Que nome lhe daria? Como seria o rostinho? Com quem pareceria? Talvez, quem sabe, com ela, ou...
Nesse instante amargo, dos seus olhos de menina mulher rolaram algumas lágrimas ligeiras. Recordou-se do pai, da conversa que tivera antes de acontecer toda essa bagunça em sua vida: “- Filha, aequam memento rebus in arrudas servare mentem (¹) – disse ele. – “Jamais entregue os pontos. Lute, esbraveje, seja forte. Agarre a vida, brigue, esperneie. Não desista ainda que todo seu eu interior transpire solidão e agonia”.
Todavia, nessa altura do caminho, aquele bate papo se tornara desnecessário. Ficara sem nexo, como ela, sem rumo, e a esperança que nutria fraca demais. Das palavras sábias do velho pai, só recordações distantes agonizando no peito despedaçado. Entrementes abaixa a cabeça. Monologa com o bebe:
- Perdoe a mamãe, meu neném querido, seja você quem for. Não está certo o que vou fazer. Não tenho o direito de tirar sua vida. Você não vai entender esse gesto, mas... Será melhor... Me alegro interiormente em saber que você não conhecerá esse lado funesto e cheio de agruras e inquietações. Mamãe ama você... Mamãe ama você... Mamãe aaa...
O tiro ecoou forte. Viajou certeiro em busca do alvo fácil. Num instante dolorido, virou uma espécie de loopem tremendamente perverso zoando dentro das quatro paredes. Ato contínuo, pessoas danaram a correr. “Maria Padilha” esmurrou a mesa onde tomava um lanche rápido. Um homem que fazia programa com uma das garotas pulou da cama, vestiu a calça rapidamente, abriu a porta, aos berros, obtemperando para que alguém acionasse a polícia. Em curto espaço uma turba rumorosa cercou o casarão que se vestiu de uma curiosidade ímpar em busca de desvendar a desgraça acontecida.
Nessa hora, pela janela do aposento, se descortinava um crepúsculo vespertino langoroso, um declínio que caia manso e enfadonho sobre a cidade. Ataviado a ele, um vento caricioso soprava, de leve, balouçando o tecido da cortina ensebada. Dobrada sobre si mesma, os dedos entrelaçados como se quisessem segurar a vida que trazia no útero, envolta numa enorme possa de sangue, Ana Angélica, a querida e desejada dama da noite, metida, agora, numa via de mão única e sem retorno, soltava, o derradeiro grito lancinante de estertor. Apesar disso, de toda dor e sofrimento e dos olhos desmesuradamente arregalados, um silencio perene aconchegava-se lhe no semblante contrafeito derramando, por sobre sua tês, um tênue fio de paz e descanso de espírito.
(¹) “Lembra-te de manter o ânimo justo nos momentos difíceis”
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"SINDROME DA PICA ROXA"
TEXTO MÉDICO DE INTERESSE GERAL
Síndrome da pica roxa
(*) Aparecido Raimundo de Souza.
O que todo homem necessita saber para não ser surpreendido por essa enfermidade.
Descoberta originariamente em 1999999999999992000 pelo médico português Joaquim Manoel Dias Mangueira Grossa, a síndrome da pica roxa (ou pica defeituosa) se caracteriza por alteração na coloração do pau, principalmente na ponta esquerda direita da cabeça. A glande fica pequena e amarela, o saco verde e as bolas se dilatam e se escondem no escroto, com medo de serem chutadas. A pele que encobre o saco se torna pálida como um defunto, depois escurece e, enfim, perde o volume natural.
Tais mudanças podem durar duas horas ou minutos, dependendo do tamanho e da duração da felação (chupada) recebida e do modo como a parceira flexiona o brinquedo (vai e vem) para que o seu macho atinja o gozo e ejacule, comumente espirrando no rosto - não da mulher - mas de algum bichinho de estimação, tipo gato, cachorro, etc...
A doença, em si, faz o cidadão andar de ré, para trás, feito caranguejo menstruado, porque, na verdade, a coisa toda resulta de uma diminuição no fluxo do sangue nos vasos que fazem a pica ficar literalmente ereta. Pequenas pedras do tamanho de uma melancia com bico de papagaio se condensam nos capilares e nas mais finas ramificações do órgão reprodutor masculino, desencadeando uma espécie de entupimento ou engarrafamento dos vasos, o que acarreta no paciente, uma aversão ao frio, tanto da natureza, como do ar-condicionado e, até de um ventilador ligado no mínimo. Pode ser provocada pelo uso de (camisas de Vênus) popularmente conhecidas como preservativos, toquinhas ou camisinhas, sem falar na ingestão de remédios contra gripe, tiróide, pressão alta e, agora, a gripe suína.
Já foram constatados betabloqueadores, exposição a vaginas mal lavadas, ou com perfumes baratos nos grandes lábios; vaginas cabeludas demais, clitóris com pisca pisca histérico e vulvas dilatadas por objetos estranhos, ou, ainda, expostas a solventes químicos com polimil; alcool, detergente, soda cáustica ou traumas de trabalho tipo operações de britadeiras, digitadores de retos furiculares, cantores de ópera e emoções negativas fortes. A síndrome da pica roxa ataca igualmente caralhos que enfrentam excessos de trepadas, como garotos de programas, rapazes que vendem o corpo a preço de banana, com a banana junto e conseguem, num só dia, levar para a cama, em média, umas dez ou quinze mulheres, nem que seja para contar para elas histórias da carochinha. É comum essa síndrome em homens que trabalham como ajudantes de coveiro e catadores de latinhas de refrigerantes.
O mecanismo é simples e funciona da seguinte forma: no momento em que os vasinhos do pau se fecham, a pele da cabeça perde a cor normal. À medida que passa a faltar oxigênio, ela se torna roxa; e, quando os vasos se abrem novamente, fica preta como um tição, em conseqüência da “inundação” do local, não pela porra, mas pelo sangue. De acordo com as estatísticas americanas, o fenômeno atinge 50% a 100% da população. Manifesta-se em homens de todas as idades, no entanto, é mais freqüente em idosos com mais de 125 anos.
Pode haver, quando ocorre o ataque, ligeira diminuição da sensibilidade na hora de endurecer, ocasião em que a pica fica literalmente estática, perde o viço, a energia, e se queda, sonolenta, a ponto de, nem com uma boa chupada nos colhões, uma mulher (de fechar o comercio ou por mais experiente que seja em matéria de sexo), conseguirá reverter o quadro fazendo com que o bilau volte ao tamanho normal. A síndrome da pica roxa, às vezes, é presságio de doenças outras, como picartrite reumatóide da próstata (inflamação do tecido que recobre as articulações mucosas do pênis); lúpus eripicatematosos (moléstia em que o próprio pinto produz anticorpos que podem atacar outros órgãos fundamentais como rins, coração e também o envoltório que reveste as pregas do anus e outras articulações, como a língua, por exemplo); polibundamiosite (inflamatório dos músculos que cobrem a pescoço da pica); dermatomiocusite (lesões na epiderme e nos músculos causados pela fricção na hora da introdução numa vagina pouco umedecida); fibrocumialgia (dores generalizadas no escroto acompanhadas de uma fadiga inexplicável na hora em que a companheira tenta bater uma punheta e o pau, automaticamente, pende da banda esquerda para a direita, pensa no Lula e na Dilma ao mesmo tempo ) murcha, perde o tesão de vez e se esconde; e escleropicadermia (doença que se caracteriza pelo enrijecimento do tecido do saco, na hora em que a fêmea, no ápice de chupar e engolir o caralho com os bagos juntos, de uma só vez, passa a língua ou morde o ponto nevrálgico de maneira imprópria, melhor descrevendo, deglute, sorve, traga inopinadamente aquele circulo concêntrico situado entre a ligadura (base do pênis) com as pregas da entrada do Canal do Panamá. Nesses casos, recebe o nome de “fenômeno da pica ausente”. Quando a síndrome não tem nenhuma moléstia aparente, é denominada “doença da pica cansada”. A doença da pica cansada, em geral, assusta, mas é benigna, isto é, não causa transtornos de envergadura ao portador; basta que ele tire algumas horas, tome um banho morno, de assento, solte uns bons peidos dentro d'água e, depois, procure um grelo sem grilo para se esfregar.
Já o "fenômeno da pica ausente", ao contrário, é mais complicado, porque pode fazer parte de uma inquietação mais nociva, entre elas, a escleropicadermia grandulal tubular, que às vezes provoca feridas em toda a extensão do membro, ainda que a denominação dele seja a Universal. Se o pau se contamina com bactérias de uma vagina não higienizada com certos critérios, se se mistura a uma boceta menstruada, ou pior, se, sem querer, o ferro do infeliz entra em contato direto com o cu (ainda que somente numa rápida pincelada em torno da portinha), esse delicado, mas, ao mesmo tempo impensado gesto, poderá elevar o quadro clínico a patamares gravíssimos, e, em decorrência, o cidadão, dependendo do caso, correr o sério risco de até vir a amputar o pau, com saco, escroto, próstata e bexiga.
Prevenção, evidentemente, é a melhor alternativa. Sempre. Se o prezado leitor é portador da síndrome da pica roxa, pode evitar que a coisa reapareça ou se manifeste de forma irreversível. Para isto, deve seguir algumas medidas básicas. Proteja o pinto de tomar frio. Pinto com frio, não sobe. Dorme, sonha, e, às vezes, até ronca. Envolva-o com cuecas ou mantas de lã. Evite cigarro, que colabora para o agravamento sistêmico da crise. Não enfie, em hipóteses nenhuma, a sua ferramenta de trabalho numa boceta que você não conheça a procedência. Fuja das piratas, notadamente das que vem com tapa olho sob a calcinha. Lembre-se: é melhor bater uma punheta no banheiro de frente para uma foto do Lula vestido de terno preto com a faixa de presidente da república no peito, ou, se preferir, iniciar um cinco contra um pensando no rabo poposudo da Bruna Surfistinha ou da mulher do delegado Protégenes, da Policia Fedemal. É recomendável, outrossim, que qualquer cidadão com sintomas estranhos procure um médico ginecologista, perdão, proctologista, ou mastrologista, e, de preferencia, que o paciente assim que chegar no consultório, agarre com força no mastro do doutor e não o solte nem por reza braba.
Existem bons especialistas nessa área também no serviço público. Uma alternativa, são os PAs e as universidades federais e estaduais existentes nas capitais e, em muitas cidades grandes. O único inconveniente nesses locais, notadamente nos Postinhos de Pronto Atendimento, é que o paciente precisa levar uma latinha de vaselina, para a consulta, pois o médico, na hora de enfiar o dedo no seu rabo, pode não ter o material apropriado e a sua bunda ficar irritada ou ardida e até vir a sangrar depois de tomar a dedada.
É bom lembrar ainda que o diagnóstico começa com o estabelecimento de um histórico do paciente. A partir daí, é possível fazer alguns exames para diferenciar a doença do fenômeno. Um deles é a picalaroscopia, que consiste no médico dar umas marteladas com um martelinho de ferro em forma de picareta, no pênis e depois enfiar o que restar do pobre coitado numa boceta de plástico, visando analisar se os vasos capilares estão injetando sangue o suficiente para manter a pica em ereção constante durante uma relação penis-vagina.
Em paralelo, é necessário, igualmente, fazer exames de sangue específico para o diagnóstico das moléstias auto-imunes. São os marcadores, substancias que permitem saber, se a síndrome é sintoma de alguma doença mais grave que precisará ser tratada. Quando não existe nenhuma, deve se manter aquecida as regiões alvo e evitar que o frio e outros desencadeadores, criem vida e forma. Bocetas não lavadas adequadamente é sempre bom repetir, ou com corrimentos, sapinhos, ou suadas e fedendo a bacalhau devem ser literalmente evitadas. Cu nem pensar, em vista dos vários tipos de fungos e parasitóides que se entrelaçam no reto e se propagam para as pregas.
Alguns remédios podem ser usados para dilatar os vasinhos do pau quando este é muito grande e o sujeito não dispõe de um buraco seguro para meter. A doença é controlável, dando ao portador, se detectada a tempo, boa qualidade de vida com futuras e excelentes trepadas, seja com sua esposa, companheira, amante ou namorada.
(*) Aparecido Raimundo de Souza 56 anos, NÃO É MÉDICO, mas jornalista.
Síndrome da pica roxa
(*) Aparecido Raimundo de Souza.
O que todo homem necessita saber para não ser surpreendido por essa enfermidade.
Descoberta originariamente em 1999999999999992000 pelo médico português Joaquim Manoel Dias Mangueira Grossa, a síndrome da pica roxa (ou pica defeituosa) se caracteriza por alteração na coloração do pau, principalmente na ponta esquerda direita da cabeça. A glande fica pequena e amarela, o saco verde e as bolas se dilatam e se escondem no escroto, com medo de serem chutadas. A pele que encobre o saco se torna pálida como um defunto, depois escurece e, enfim, perde o volume natural.
Tais mudanças podem durar duas horas ou minutos, dependendo do tamanho e da duração da felação (chupada) recebida e do modo como a parceira flexiona o brinquedo (vai e vem) para que o seu macho atinja o gozo e ejacule, comumente espirrando no rosto - não da mulher - mas de algum bichinho de estimação, tipo gato, cachorro, etc...
A doença, em si, faz o cidadão andar de ré, para trás, feito caranguejo menstruado, porque, na verdade, a coisa toda resulta de uma diminuição no fluxo do sangue nos vasos que fazem a pica ficar literalmente ereta. Pequenas pedras do tamanho de uma melancia com bico de papagaio se condensam nos capilares e nas mais finas ramificações do órgão reprodutor masculino, desencadeando uma espécie de entupimento ou engarrafamento dos vasos, o que acarreta no paciente, uma aversão ao frio, tanto da natureza, como do ar-condicionado e, até de um ventilador ligado no mínimo. Pode ser provocada pelo uso de (camisas de Vênus) popularmente conhecidas como preservativos, toquinhas ou camisinhas, sem falar na ingestão de remédios contra gripe, tiróide, pressão alta e, agora, a gripe suína.
Já foram constatados betabloqueadores, exposição a vaginas mal lavadas, ou com perfumes baratos nos grandes lábios; vaginas cabeludas demais, clitóris com pisca pisca histérico e vulvas dilatadas por objetos estranhos, ou, ainda, expostas a solventes químicos com polimil; alcool, detergente, soda cáustica ou traumas de trabalho tipo operações de britadeiras, digitadores de retos furiculares, cantores de ópera e emoções negativas fortes. A síndrome da pica roxa ataca igualmente caralhos que enfrentam excessos de trepadas, como garotos de programas, rapazes que vendem o corpo a preço de banana, com a banana junto e conseguem, num só dia, levar para a cama, em média, umas dez ou quinze mulheres, nem que seja para contar para elas histórias da carochinha. É comum essa síndrome em homens que trabalham como ajudantes de coveiro e catadores de latinhas de refrigerantes.
O mecanismo é simples e funciona da seguinte forma: no momento em que os vasinhos do pau se fecham, a pele da cabeça perde a cor normal. À medida que passa a faltar oxigênio, ela se torna roxa; e, quando os vasos se abrem novamente, fica preta como um tição, em conseqüência da “inundação” do local, não pela porra, mas pelo sangue. De acordo com as estatísticas americanas, o fenômeno atinge 50% a 100% da população. Manifesta-se em homens de todas as idades, no entanto, é mais freqüente em idosos com mais de 125 anos.
Pode haver, quando ocorre o ataque, ligeira diminuição da sensibilidade na hora de endurecer, ocasião em que a pica fica literalmente estática, perde o viço, a energia, e se queda, sonolenta, a ponto de, nem com uma boa chupada nos colhões, uma mulher (de fechar o comercio ou por mais experiente que seja em matéria de sexo), conseguirá reverter o quadro fazendo com que o bilau volte ao tamanho normal. A síndrome da pica roxa, às vezes, é presságio de doenças outras, como picartrite reumatóide da próstata (inflamação do tecido que recobre as articulações mucosas do pênis); lúpus eripicatematosos (moléstia em que o próprio pinto produz anticorpos que podem atacar outros órgãos fundamentais como rins, coração e também o envoltório que reveste as pregas do anus e outras articulações, como a língua, por exemplo); polibundamiosite (inflamatório dos músculos que cobrem a pescoço da pica); dermatomiocusite (lesões na epiderme e nos músculos causados pela fricção na hora da introdução numa vagina pouco umedecida); fibrocumialgia (dores generalizadas no escroto acompanhadas de uma fadiga inexplicável na hora em que a companheira tenta bater uma punheta e o pau, automaticamente, pende da banda esquerda para a direita, pensa no Lula e na Dilma ao mesmo tempo ) murcha, perde o tesão de vez e se esconde; e escleropicadermia (doença que se caracteriza pelo enrijecimento do tecido do saco, na hora em que a fêmea, no ápice de chupar e engolir o caralho com os bagos juntos, de uma só vez, passa a língua ou morde o ponto nevrálgico de maneira imprópria, melhor descrevendo, deglute, sorve, traga inopinadamente aquele circulo concêntrico situado entre a ligadura (base do pênis) com as pregas da entrada do Canal do Panamá. Nesses casos, recebe o nome de “fenômeno da pica ausente”. Quando a síndrome não tem nenhuma moléstia aparente, é denominada “doença da pica cansada”. A doença da pica cansada, em geral, assusta, mas é benigna, isto é, não causa transtornos de envergadura ao portador; basta que ele tire algumas horas, tome um banho morno, de assento, solte uns bons peidos dentro d'água e, depois, procure um grelo sem grilo para se esfregar.
Já o "fenômeno da pica ausente", ao contrário, é mais complicado, porque pode fazer parte de uma inquietação mais nociva, entre elas, a escleropicadermia grandulal tubular, que às vezes provoca feridas em toda a extensão do membro, ainda que a denominação dele seja a Universal. Se o pau se contamina com bactérias de uma vagina não higienizada com certos critérios, se se mistura a uma boceta menstruada, ou pior, se, sem querer, o ferro do infeliz entra em contato direto com o cu (ainda que somente numa rápida pincelada em torno da portinha), esse delicado, mas, ao mesmo tempo impensado gesto, poderá elevar o quadro clínico a patamares gravíssimos, e, em decorrência, o cidadão, dependendo do caso, correr o sério risco de até vir a amputar o pau, com saco, escroto, próstata e bexiga.
Prevenção, evidentemente, é a melhor alternativa. Sempre. Se o prezado leitor é portador da síndrome da pica roxa, pode evitar que a coisa reapareça ou se manifeste de forma irreversível. Para isto, deve seguir algumas medidas básicas. Proteja o pinto de tomar frio. Pinto com frio, não sobe. Dorme, sonha, e, às vezes, até ronca. Envolva-o com cuecas ou mantas de lã. Evite cigarro, que colabora para o agravamento sistêmico da crise. Não enfie, em hipóteses nenhuma, a sua ferramenta de trabalho numa boceta que você não conheça a procedência. Fuja das piratas, notadamente das que vem com tapa olho sob a calcinha. Lembre-se: é melhor bater uma punheta no banheiro de frente para uma foto do Lula vestido de terno preto com a faixa de presidente da república no peito, ou, se preferir, iniciar um cinco contra um pensando no rabo poposudo da Bruna Surfistinha ou da mulher do delegado Protégenes, da Policia Fedemal. É recomendável, outrossim, que qualquer cidadão com sintomas estranhos procure um médico ginecologista, perdão, proctologista, ou mastrologista, e, de preferencia, que o paciente assim que chegar no consultório, agarre com força no mastro do doutor e não o solte nem por reza braba.
Existem bons especialistas nessa área também no serviço público. Uma alternativa, são os PAs e as universidades federais e estaduais existentes nas capitais e, em muitas cidades grandes. O único inconveniente nesses locais, notadamente nos Postinhos de Pronto Atendimento, é que o paciente precisa levar uma latinha de vaselina, para a consulta, pois o médico, na hora de enfiar o dedo no seu rabo, pode não ter o material apropriado e a sua bunda ficar irritada ou ardida e até vir a sangrar depois de tomar a dedada.
É bom lembrar ainda que o diagnóstico começa com o estabelecimento de um histórico do paciente. A partir daí, é possível fazer alguns exames para diferenciar a doença do fenômeno. Um deles é a picalaroscopia, que consiste no médico dar umas marteladas com um martelinho de ferro em forma de picareta, no pênis e depois enfiar o que restar do pobre coitado numa boceta de plástico, visando analisar se os vasos capilares estão injetando sangue o suficiente para manter a pica em ereção constante durante uma relação penis-vagina.
Em paralelo, é necessário, igualmente, fazer exames de sangue específico para o diagnóstico das moléstias auto-imunes. São os marcadores, substancias que permitem saber, se a síndrome é sintoma de alguma doença mais grave que precisará ser tratada. Quando não existe nenhuma, deve se manter aquecida as regiões alvo e evitar que o frio e outros desencadeadores, criem vida e forma. Bocetas não lavadas adequadamente é sempre bom repetir, ou com corrimentos, sapinhos, ou suadas e fedendo a bacalhau devem ser literalmente evitadas. Cu nem pensar, em vista dos vários tipos de fungos e parasitóides que se entrelaçam no reto e se propagam para as pregas.
Alguns remédios podem ser usados para dilatar os vasinhos do pau quando este é muito grande e o sujeito não dispõe de um buraco seguro para meter. A doença é controlável, dando ao portador, se detectada a tempo, boa qualidade de vida com futuras e excelentes trepadas, seja com sua esposa, companheira, amante ou namorada.
(*) Aparecido Raimundo de Souza 56 anos, NÃO É MÉDICO, mas jornalista.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
"AS DANAÇÕES DO COMPADRE ZÉ"
As danações do compadre Zé.
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Zé Povinho se considera uma besta. Embora seja um cara instruído, leitor inveterado, se classifica politicamente falando, como uma besta. Para completar o quadro, uma besta quadrada.
1)
Ele não entende, por exemplo, por qual motivo a mídia escrita, falada e televisada dispensou tanta atenção e se esmerou em promover, com estapafúrdio alarde, o câncer da Sra. Dilma Rousseff, exatamente quando um número enorme de brasileiros, todo santo dia, de canto a canto deste Brasil imenso chega a óbito nos corredores dos hospitais da rede pública, por absoluta falta de recursos. Zé Povinho não compreende porque a Sra Dilma, para fazer uma bateria de exames tidos como “rotineiros” necessitou de mais de uma dezena de hematologistas e oncologistas, sem contar os trocentos seguranças na porta do hospital particular, ao contrário do trabalhador honesto, para sobreviver nesse país de filhos da puta, não sabe o que é um hematologista, ou um oncologista, e pior, desconhece a porra da segurança, ou melhor, ignora o que lhe possa vir a suceder, a partir do momento em que coloca os pés fora do aconchego de sua casa. Zé Povinho fica indignado em saber que, enquanto o câncer da maldita Dilma faz dela uma “coitadinha”, uma infeliz, quem precisa do remédio para tratar do mesmo mal que definha suas entranhas, se não quiser se foder mais cedo, e parar na cidade dos pés juntos, terá que desembolsar por um frasco do Mab Thera (remédio que prolonga a vida do paciente dando-lhe maior possibilidade de sobrevida) 8.000 reais, quando o certo seria o governo vender esse medicamento a preço que qualquer necessitado pudesse ter acesso. E Zé pergunta, com a sua cara de babaca – o semblante carregado de insatisfações: por que essa maldita ministra não aproveitou o seu mal, e, na ancora do seu câncer eleitoreiro - ao invés de fazer propaganda para uso próprio, querendo se promover, visando o poder, por que, ao invés disso, não lançou uma campanha em rede nacional, para que os mais de 10.000 pacientes que sofrem do mesmo problema pudessem gozar, através da aquisição do tal Mab Thera, a esperança de viver um pouquinho mais?
2)
Outro fato que deixou Zé Povinho enfurecido, pê da vida. O bate boca dos ministros Joaquim Barbosa e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Barbosa disse ao colega que ele “estava destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro” e que deveria saber que “não estava falando com os capangas dele do Mato Grosso”. Ora, minha gente, Zé Povinho pode ser uma besta, mas burro, não. Realmente concordamos com ele. O judiciário brasileiro é uma caixa preta, um embornal de gatos famintos, um barril de pólvora prestes a explodir. Uma espécie de saco, onde os poderosos depositam seus excrementos e nos obrigam a carregar nas costas. No meio dessa confusão toda, o que incomoda o Zé e ultimamente vem lhe tirando o sono: os capangas do Mato Grosso! Deveríamos estar igualmente incomodados com isso? Ser solidário a esse brasileiro porreta? Zé Povinho não entende muito de palavras difíceis, não manja de termos rebuscados. Todavia, está sério, bastante pensativo, deveras acuado, procurando mastigar, digerir de uma vez por todas com essa história dos capangas, tirando tudo em pratos limpos. Seriam esses capangas do Mato Grosso?... Algum prato novo que os poderosos vão nos enfiar goela abaixo????
3)
Preocupado com a gripe suína, Zé Povinho também tem a sua opinião formada. Ele acha que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão deveria, antes de se apresentar na televisão para falar em público e tratar de um assunto tão delicado, colocar, na cara, uma máscara de porco. Assim, as pessoas iriam se acostumando a ver os suínos e outros membros da família com olhos mais amenos. Em paralelo, ao invés de dizer que os supostos “infectados” passam bem, o ilustre ministro precisaria colocar no mercado, em caráter de urgência, uma cartilha com os principais tópicos da doença, grosso modo, ensinar a galera a chafurdar no lamaçal do SUS (Sistema Único de Safados), a partir do momento em que a coisa se agravar de verdade e a mentira que ronda pelo ar, virar epidemia de fato. Como os horários políticos se faz necessário promover uma lavagem cerebral nessa grande massa de embasbacados, que, aliás, não enxergam um passo adiante do nariz.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
Outros textos do mesmo autor podem ser vistos no "Google" ou no site:
www.paralerepensar.com.br
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Zé Povinho se considera uma besta. Embora seja um cara instruído, leitor inveterado, se classifica politicamente falando, como uma besta. Para completar o quadro, uma besta quadrada.
1)
Ele não entende, por exemplo, por qual motivo a mídia escrita, falada e televisada dispensou tanta atenção e se esmerou em promover, com estapafúrdio alarde, o câncer da Sra. Dilma Rousseff, exatamente quando um número enorme de brasileiros, todo santo dia, de canto a canto deste Brasil imenso chega a óbito nos corredores dos hospitais da rede pública, por absoluta falta de recursos. Zé Povinho não compreende porque a Sra Dilma, para fazer uma bateria de exames tidos como “rotineiros” necessitou de mais de uma dezena de hematologistas e oncologistas, sem contar os trocentos seguranças na porta do hospital particular, ao contrário do trabalhador honesto, para sobreviver nesse país de filhos da puta, não sabe o que é um hematologista, ou um oncologista, e pior, desconhece a porra da segurança, ou melhor, ignora o que lhe possa vir a suceder, a partir do momento em que coloca os pés fora do aconchego de sua casa. Zé Povinho fica indignado em saber que, enquanto o câncer da maldita Dilma faz dela uma “coitadinha”, uma infeliz, quem precisa do remédio para tratar do mesmo mal que definha suas entranhas, se não quiser se foder mais cedo, e parar na cidade dos pés juntos, terá que desembolsar por um frasco do Mab Thera (remédio que prolonga a vida do paciente dando-lhe maior possibilidade de sobrevida) 8.000 reais, quando o certo seria o governo vender esse medicamento a preço que qualquer necessitado pudesse ter acesso. E Zé pergunta, com a sua cara de babaca – o semblante carregado de insatisfações: por que essa maldita ministra não aproveitou o seu mal, e, na ancora do seu câncer eleitoreiro - ao invés de fazer propaganda para uso próprio, querendo se promover, visando o poder, por que, ao invés disso, não lançou uma campanha em rede nacional, para que os mais de 10.000 pacientes que sofrem do mesmo problema pudessem gozar, através da aquisição do tal Mab Thera, a esperança de viver um pouquinho mais?
2)
Outro fato que deixou Zé Povinho enfurecido, pê da vida. O bate boca dos ministros Joaquim Barbosa e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Barbosa disse ao colega que ele “estava destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro” e que deveria saber que “não estava falando com os capangas dele do Mato Grosso”. Ora, minha gente, Zé Povinho pode ser uma besta, mas burro, não. Realmente concordamos com ele. O judiciário brasileiro é uma caixa preta, um embornal de gatos famintos, um barril de pólvora prestes a explodir. Uma espécie de saco, onde os poderosos depositam seus excrementos e nos obrigam a carregar nas costas. No meio dessa confusão toda, o que incomoda o Zé e ultimamente vem lhe tirando o sono: os capangas do Mato Grosso! Deveríamos estar igualmente incomodados com isso? Ser solidário a esse brasileiro porreta? Zé Povinho não entende muito de palavras difíceis, não manja de termos rebuscados. Todavia, está sério, bastante pensativo, deveras acuado, procurando mastigar, digerir de uma vez por todas com essa história dos capangas, tirando tudo em pratos limpos. Seriam esses capangas do Mato Grosso?... Algum prato novo que os poderosos vão nos enfiar goela abaixo????
3)
Preocupado com a gripe suína, Zé Povinho também tem a sua opinião formada. Ele acha que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão deveria, antes de se apresentar na televisão para falar em público e tratar de um assunto tão delicado, colocar, na cara, uma máscara de porco. Assim, as pessoas iriam se acostumando a ver os suínos e outros membros da família com olhos mais amenos. Em paralelo, ao invés de dizer que os supostos “infectados” passam bem, o ilustre ministro precisaria colocar no mercado, em caráter de urgência, uma cartilha com os principais tópicos da doença, grosso modo, ensinar a galera a chafurdar no lamaçal do SUS (Sistema Único de Safados), a partir do momento em que a coisa se agravar de verdade e a mentira que ronda pelo ar, virar epidemia de fato. Como os horários políticos se faz necessário promover uma lavagem cerebral nessa grande massa de embasbacados, que, aliás, não enxergam um passo adiante do nariz.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
Outros textos do mesmo autor podem ser vistos no "Google" ou no site:
www.paralerepensar.com.br
sábado, 21 de novembro de 2009
"TUDO POR NADA..."
Tudo por nada...
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza
para a Eliana, minha cunhada, com carinho especial
Podem acreditar piamente no que direi agora. Depois que visitei minha cunhada Eliane, no hospital, fortaleci, dentro de mim, a certeza de que não somos nada. Apenas e tão somente um amontoado de carne em constante estado de decomposição. Não passamos de tecido deteriorado, malcheiroso e podre. Isso mesmo: podre. Digo isto, porque até bem pouco tempo, a mulher de meu irmão esbanjava vida e saúde. Saia cedo para vender roupas de porta em porta, intencionando ajudar o marido que montava ventiladores de teto. Não que precisassem: tinham um luxuoso e confortável apartamento, carro do ano, alguns trocados no banco para não acorrerem à preocupação de fazer alguma coisa às pressas para colocar na mesa dia seguinte. Mas a moça não era de ficar quieta. Havia uma magia perene em torno da sua áurea, que a deixava em constante ebulição. Em nome dessa chama que nunca se apagava a bela reinava absoluta. Simplesmente se punha em campo, não se quedava a espera que a grana do supermercado ou do açougue caísse do céu e parasse em sua bolsa de mãos beijadas. Jamais!
Eliana arregaçava as mangas e se punha em polvorosa, com todo o gás. Pau pra toda obra, corria paralelo ao companheiro para ajudar no equilíbrio das despesas mais prementes. Econômica aos extremos chegava a dar no saco. Parecia uma chata de galochas, regando comida, oferecendo as visitas um cafezinho requentando com pão dormido e manteiga rançosa. Não gastava atoa, com besteiras, tinha os pés firmes no chão e muito discernimento com relação ao futuro que almejava construir. Algumas pessoas mais chegadas afirmavam que a Eliana pensava “não com o coração, mas com a cabeça fria”.
Todavia, de repente, o inesperado bateu à porta. Em conseqüência, os sonhos que acalentava, pararam junto com a sua altivez num leito de hospital. A partir daí passou a definhar. Os movimentos das mãos e dos pés cessaram, o rosto perdeu a cor tranqüila e os olhos que brilhavam intensamente se perderam num labirinto sem volta. Não ficou só nesse quadro: o resto do corpo atrofiou. A esperança perdeu o viço, os dias se tornaram compridos demais, as noites melancólicas e insidiosas. Sua via crucis foi tão penosa que num dado momento pintou no seu caminho uma sala fria de UTI. Quando se viu fora dela, precisaram colocar uma sonda para que fizesse as necessidades fisiológicas sem maiores problemas.
Hoje a Eliane vive atrelada a uma máquina e a mercê de um infindável coquetel de antibióticos. Não reconhece os parentes mais próximos. Troca nomes, não pergunta pela filha Carol, não sorri, não, chora, não tem emoções, enfim, parece vegetar uma eternidade mórbida, depressiva, embora esteja, ainda, no albor da juventude. Assistida pela mãe, pelo meu irmão e pelas irmãs, Eliana toca os dias, sem a expectativa de voltar ao normal. De poder sair andando a passos próprios, de chegar até a janela e espiar para a rua, sem precisar fazer uso da cadeira de rodas; ou de tomar, quem sabe, um banho de chuveiro sem que alguém tenha que vir lhe amparar. Ou por outra: de se enxergar defronte ao espelho a pentear os cabelos, a passar um batom, escolher um vestido no guarda roupa; se entregar, ardorosa e impaciente, num sorriso largo a esperar pela chegada do marido.
O Cláudio, meu irmão, por tudo o que vem passando parece ter envelhecido alguns anos. Profundamente abatido, derribado e melancólico, se transformou numa criatura de gestos nervosos, cheia de tiques involuntários. A dor física que lhe invadiu, parece pequena perto da possibilidade de uma possível separação que se avizinha. Claudio, na verdade, se trancou numa redoma misteriosa, enigmática, desconhecida e estranha. Ficou desprotegido, encurralado entre a cruz e a espada, preso aos fios de uma esperança desfeita, tentando recompor o que sobrou da sua família que, de repente se quebrou como um bibelô de cristal. Sozinho, com a filha, tenta seguir adiante, como se vivesse uma orfandade anunciada. O Cláudio não fala, mas com certeza, se questiona a todo o momento, se quebra em perguntas sem respostas e, pior, desconhece como será o futuro que ainda está envolto pelo incerto amanhã.
Diante dessa moldura desoladora, procuro lembrar a Eliana nos áureos tempos em que gozando saúde plena, não sabia o que era tirar uma folga para descansar. De coração grandioso, muitas vezes doou roupas da Carol, como dezena de brinquedos, para que eu levasse para minhas filhas Amanda e Luana. Uma vez, e isso não faz muito tempo, foi comigo numa loja e abriu um crediário em seu nome e por causa desse seu gesto de solidariedade a toda prova, pude dar de presente uma boneca para a Luana, que aniversariava. O que estou querendo dizer, afinal, é que não sei por quanto tempo ela ficará nesse quadro mórbido de inquietações ásperas à espera que alguma coisa, de um momento para outro, mude para melhor. É dolorosa a espera. Mais ainda, a incerteza. Entre a espera e a incerteza, surge outra aliada igualmente infame: a desolação. A desolação fere, melindra, magoa, aflige, conturba. É como a dor. A dor nada mais é que um fechar de porta entre o homem e Deus. É no momento de intensa dor, ou mais precisamente quando ela se torna lancinante que damos um tempo na nossa desgraça e lembramos da existência do Altíssimo. Às vezes precisamos ter a porta fechada, na cara, para nos enchermos do Espírito do Bem Aventurado e voltarmos a ser totalmente felizes. Somente nas horas amarga lembramos que a benignidade do Pai é gratuita e infinda.
Quero, todavia, recordar da minha cunhada, não vestida naquelas roupas esquisitas que os doentes usam nos hospitais. Também me recuso a aceitar o fato de vê-la submissa, dependente, jogada à sorte, subordinada a uma enfermeira de rosto amarrado que deu o ar da graça para trocar, de má vontade, o frasco do soro que findou, ou aplicar uma injeção para que lhe seja aplacada alguma dor oculta dentro do peito em frangalhos. Apesar dos pesares, acredito e vou acreditar sempre, que a sua enfermidade, seja ela qual for se pareça com aquela nuvenzinha vadia que aparece lá no azul do alto céu e, depois, logo em seguida, some misteriosamente nos confins do horizonte.
Por assim, embora não podendo me ouvir neste momento, saiba, minha querida cunhada, que a vida é um vício gostoso, como o cigarro na boca do tabagista. O fumante, a cada dia que passa se prende a ele e, com o correr inexorável dos dias, dos meses e dos anos, se torna seu escravo incondicional. Como ao ato de fumar, não ficamos sem respirar. O cigarro é para alguns, como o ar benfazejo que absorvemos para continuarmos vivendo. Essa entrega ao vicio nos quebra as amarras, ao tempo que nos põe de mãos atadas. Basta, pois, Eliana, que você se entregue a esse vicio e, como um fumante inveterado trague a vida, fume a vida que está ao seu lado, esperando apenas que você a acenda. Daí para frente, o desejo de seguir a caminhada lhe sustentará os passos em busca de novos horizontes.
Pela vida a fora, desde o nascimento, a gente começa um longo processo de definhamento involuntário. Com o correr dos anos, perdemos a força, consumimos, aos poucos, e lentamente, nossos sonhos, desejos e vontades. Largamos também, nessa trajetória, a margem da estrada, esquecida, a virtude maior que nos é dada sem que por ela precisemos pagar um centavo: a paz de espírito. Viver, portanto, minha querida cunhada, é não ter tranqüilidade, é lutar todos os dias contra as intempéries ocultas que nos atinge o centro nevrálgico do coração pelos labirintos insondáveis da alma minada pelo peso iracundo do tempo que o destino matreiro nos reservou. O que estou pretendendo dizer é muito simples. Não desista desta luta, não decline do vício. O vício de viver, claro. Continue dependente dele. Cada dia mais e mais. Não pare agora. Lute, peleje de unhas e dentes, esbraveje, grite, mas vá à guerra com todas as forças que eu sei, e que todos nós sabemos, existe dentro de você. Deixe que o vício da vida, aliado a brisa terna da vontade de querer, invada e consuma suas entranhas por inteiro. De a volta por cima. Regresse para a Carol, para o Claudio, para sua mãe, seus irmãos, enfim, para você mesma. Se de esse presente. Na verdade, cunhada, na verdade o que todos nós almejamos, é que você, Eliane, volte correndo para junto de todos nós.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista.
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza
para a Eliana, minha cunhada, com carinho especial
Podem acreditar piamente no que direi agora. Depois que visitei minha cunhada Eliane, no hospital, fortaleci, dentro de mim, a certeza de que não somos nada. Apenas e tão somente um amontoado de carne em constante estado de decomposição. Não passamos de tecido deteriorado, malcheiroso e podre. Isso mesmo: podre. Digo isto, porque até bem pouco tempo, a mulher de meu irmão esbanjava vida e saúde. Saia cedo para vender roupas de porta em porta, intencionando ajudar o marido que montava ventiladores de teto. Não que precisassem: tinham um luxuoso e confortável apartamento, carro do ano, alguns trocados no banco para não acorrerem à preocupação de fazer alguma coisa às pressas para colocar na mesa dia seguinte. Mas a moça não era de ficar quieta. Havia uma magia perene em torno da sua áurea, que a deixava em constante ebulição. Em nome dessa chama que nunca se apagava a bela reinava absoluta. Simplesmente se punha em campo, não se quedava a espera que a grana do supermercado ou do açougue caísse do céu e parasse em sua bolsa de mãos beijadas. Jamais!
Eliana arregaçava as mangas e se punha em polvorosa, com todo o gás. Pau pra toda obra, corria paralelo ao companheiro para ajudar no equilíbrio das despesas mais prementes. Econômica aos extremos chegava a dar no saco. Parecia uma chata de galochas, regando comida, oferecendo as visitas um cafezinho requentando com pão dormido e manteiga rançosa. Não gastava atoa, com besteiras, tinha os pés firmes no chão e muito discernimento com relação ao futuro que almejava construir. Algumas pessoas mais chegadas afirmavam que a Eliana pensava “não com o coração, mas com a cabeça fria”.
Todavia, de repente, o inesperado bateu à porta. Em conseqüência, os sonhos que acalentava, pararam junto com a sua altivez num leito de hospital. A partir daí passou a definhar. Os movimentos das mãos e dos pés cessaram, o rosto perdeu a cor tranqüila e os olhos que brilhavam intensamente se perderam num labirinto sem volta. Não ficou só nesse quadro: o resto do corpo atrofiou. A esperança perdeu o viço, os dias se tornaram compridos demais, as noites melancólicas e insidiosas. Sua via crucis foi tão penosa que num dado momento pintou no seu caminho uma sala fria de UTI. Quando se viu fora dela, precisaram colocar uma sonda para que fizesse as necessidades fisiológicas sem maiores problemas.
Hoje a Eliane vive atrelada a uma máquina e a mercê de um infindável coquetel de antibióticos. Não reconhece os parentes mais próximos. Troca nomes, não pergunta pela filha Carol, não sorri, não, chora, não tem emoções, enfim, parece vegetar uma eternidade mórbida, depressiva, embora esteja, ainda, no albor da juventude. Assistida pela mãe, pelo meu irmão e pelas irmãs, Eliana toca os dias, sem a expectativa de voltar ao normal. De poder sair andando a passos próprios, de chegar até a janela e espiar para a rua, sem precisar fazer uso da cadeira de rodas; ou de tomar, quem sabe, um banho de chuveiro sem que alguém tenha que vir lhe amparar. Ou por outra: de se enxergar defronte ao espelho a pentear os cabelos, a passar um batom, escolher um vestido no guarda roupa; se entregar, ardorosa e impaciente, num sorriso largo a esperar pela chegada do marido.
O Cláudio, meu irmão, por tudo o que vem passando parece ter envelhecido alguns anos. Profundamente abatido, derribado e melancólico, se transformou numa criatura de gestos nervosos, cheia de tiques involuntários. A dor física que lhe invadiu, parece pequena perto da possibilidade de uma possível separação que se avizinha. Claudio, na verdade, se trancou numa redoma misteriosa, enigmática, desconhecida e estranha. Ficou desprotegido, encurralado entre a cruz e a espada, preso aos fios de uma esperança desfeita, tentando recompor o que sobrou da sua família que, de repente se quebrou como um bibelô de cristal. Sozinho, com a filha, tenta seguir adiante, como se vivesse uma orfandade anunciada. O Cláudio não fala, mas com certeza, se questiona a todo o momento, se quebra em perguntas sem respostas e, pior, desconhece como será o futuro que ainda está envolto pelo incerto amanhã.
Diante dessa moldura desoladora, procuro lembrar a Eliana nos áureos tempos em que gozando saúde plena, não sabia o que era tirar uma folga para descansar. De coração grandioso, muitas vezes doou roupas da Carol, como dezena de brinquedos, para que eu levasse para minhas filhas Amanda e Luana. Uma vez, e isso não faz muito tempo, foi comigo numa loja e abriu um crediário em seu nome e por causa desse seu gesto de solidariedade a toda prova, pude dar de presente uma boneca para a Luana, que aniversariava. O que estou querendo dizer, afinal, é que não sei por quanto tempo ela ficará nesse quadro mórbido de inquietações ásperas à espera que alguma coisa, de um momento para outro, mude para melhor. É dolorosa a espera. Mais ainda, a incerteza. Entre a espera e a incerteza, surge outra aliada igualmente infame: a desolação. A desolação fere, melindra, magoa, aflige, conturba. É como a dor. A dor nada mais é que um fechar de porta entre o homem e Deus. É no momento de intensa dor, ou mais precisamente quando ela se torna lancinante que damos um tempo na nossa desgraça e lembramos da existência do Altíssimo. Às vezes precisamos ter a porta fechada, na cara, para nos enchermos do Espírito do Bem Aventurado e voltarmos a ser totalmente felizes. Somente nas horas amarga lembramos que a benignidade do Pai é gratuita e infinda.
Quero, todavia, recordar da minha cunhada, não vestida naquelas roupas esquisitas que os doentes usam nos hospitais. Também me recuso a aceitar o fato de vê-la submissa, dependente, jogada à sorte, subordinada a uma enfermeira de rosto amarrado que deu o ar da graça para trocar, de má vontade, o frasco do soro que findou, ou aplicar uma injeção para que lhe seja aplacada alguma dor oculta dentro do peito em frangalhos. Apesar dos pesares, acredito e vou acreditar sempre, que a sua enfermidade, seja ela qual for se pareça com aquela nuvenzinha vadia que aparece lá no azul do alto céu e, depois, logo em seguida, some misteriosamente nos confins do horizonte.
Por assim, embora não podendo me ouvir neste momento, saiba, minha querida cunhada, que a vida é um vício gostoso, como o cigarro na boca do tabagista. O fumante, a cada dia que passa se prende a ele e, com o correr inexorável dos dias, dos meses e dos anos, se torna seu escravo incondicional. Como ao ato de fumar, não ficamos sem respirar. O cigarro é para alguns, como o ar benfazejo que absorvemos para continuarmos vivendo. Essa entrega ao vicio nos quebra as amarras, ao tempo que nos põe de mãos atadas. Basta, pois, Eliana, que você se entregue a esse vicio e, como um fumante inveterado trague a vida, fume a vida que está ao seu lado, esperando apenas que você a acenda. Daí para frente, o desejo de seguir a caminhada lhe sustentará os passos em busca de novos horizontes.
Pela vida a fora, desde o nascimento, a gente começa um longo processo de definhamento involuntário. Com o correr dos anos, perdemos a força, consumimos, aos poucos, e lentamente, nossos sonhos, desejos e vontades. Largamos também, nessa trajetória, a margem da estrada, esquecida, a virtude maior que nos é dada sem que por ela precisemos pagar um centavo: a paz de espírito. Viver, portanto, minha querida cunhada, é não ter tranqüilidade, é lutar todos os dias contra as intempéries ocultas que nos atinge o centro nevrálgico do coração pelos labirintos insondáveis da alma minada pelo peso iracundo do tempo que o destino matreiro nos reservou. O que estou pretendendo dizer é muito simples. Não desista desta luta, não decline do vício. O vício de viver, claro. Continue dependente dele. Cada dia mais e mais. Não pare agora. Lute, peleje de unhas e dentes, esbraveje, grite, mas vá à guerra com todas as forças que eu sei, e que todos nós sabemos, existe dentro de você. Deixe que o vício da vida, aliado a brisa terna da vontade de querer, invada e consuma suas entranhas por inteiro. De a volta por cima. Regresse para a Carol, para o Claudio, para sua mãe, seus irmãos, enfim, para você mesma. Se de esse presente. Na verdade, cunhada, na verdade o que todos nós almejamos, é que você, Eliane, volte correndo para junto de todos nós.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
"O PRESIDENTE RESPONDE" Parte 1
O PRESIDENTE RESPONDE
Parte 1
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Mande suas perguntas por e-mail picadura@botonocudospobresradioetelevisao.com.br ou por carta. Rua Mesmo Que Tu Não Abra Eu Enfio nº 171 Anexo II Mirante da Torre de Televisão Brasília DF.
TRATAMENTO ODONTOLÓGICO SEM DENTISTA
Carlos Cu Largo, 40 anos, trabalhador braçal sem os braços de Curitiba (PR)
Em propaganda que o elegeu o senhor anunciou que o Programa “Brasil Sorridente” seria um serviço odontológico com várias especializações. Em Curitiba, percorri vários postos e todos negaram a existência do serviço. Como posso beneficiar-me desse projeto?
Presidente Fula – Companheiro, eu cansei de ver crianças de 10 e 12 anos já sem os dentes. Vi inclusive, rapazes de 17 anos sem boca, procurando uma, nem que fosse de fumo. No lugar da boca desses jovens, vi panelas imensas, verdadeiras crateras, algumas delas maiores até que o rombo da Previdência. Tinha um rapazola, em São Bernardo do Campo, meio parecido com o Mão Santa, que trazia sobre uma prótese quebrada, uma folha do romance do Sarney. Até alguns anos atrás, o miseravelmente pobre não tinha tratamento de canal, tampouco restauração. Coitado, só podia arrancar os dentes! Hoje esse depauperado pode fazer tratamento de canal na puta que pariu e restauração na casa do caralho. Além da questão da saúde, os dentes são importantes para a autoestima, sobretudo na hora de procurar uma esquina para ficar feito um palhaço debaixo do semáforo, na frente dos carros, fazendo malabarismo com bolinhas ou engolindo fogo. O brasileiro é bom para fazer malabarismo. Esse dom parece que já nasce com a pessoa, acho que a coisa vem de berço. Outro dia, me deparei com um rapaz, aqui na porta do Palácio da Alvorada, muito vagamente esse mancebo me lembrou o Renan Calheiros, tentando enfiar três bananas no olho do cu com o pé esquerdo. Isso seria fácil, não fosse pelo fato dele ter uma venda nos olhos. Por essas coisas todas, criamos o “Brasil Sorridente”, formado por Centros de Especialidades Odontológicas, os Laboratórios de Prótese Dentária e as Equipes de Saúde Bucal. O município interessado solicita a implantação dos centros e cede o terreno. O Governo federal fornece os equipamentos e recursos para as obras e avisa o pessoal do MST. Após a invasão, perdão, após a implantação, o município ou o Estado passam a receber repasses federais e operam as unidades. Operam tanto que as unidades acabam morrendo na UTI. Hoje já existem 675 CEO’s em 574 municípios, mas só 2 funcionam. Já são 18.305 Equipes de Saúde Bucal no País a cata de desdentados e banguelas. Entre janeiro de 2005 e setembro de 2008, foram realizados 17 milhões de procedimentos nos CEO’s. Duvido que o companheiro encontre um cidadão sem dente ai pelas ruas. Pode procurar com todas as lamparinas do seu juízo. Vendo a Boariza se alguém me apontar um caraminguado, um só, com uma cárie ou uma obturação mal feita. Desde 2003, deixaram de ser arrancados mais de 3 milhões de dentes. E sabe por quê? Porque os profissionais dos CEO’s, todos formados em Camamú, nos cafundós da Bahia, não encontraram nenhum dente. Em Curitiba, onde você mora, existem 143 Equipes de Saúde Bucal, 3 CEO’s, 2 equipados com laboratórios, 1 inferno e 1 purgatório juntos, funcionando dia e noite. Para o prezado companheiro se informar sobre o programa (caso queira fazer um programa), ligue para o 080000000000-61111111111997777777777, do Mistério da Saúde. Lado outro, se necessitar de informações mais detalhadas, tente a Secretaria Municipal de Saúde. Se conseguir falar, por favor, me avise.
CASA PRÓPRIA PARA GOZO DE ALÉM TÚMULO
Ricardo Roendo Osso da Silva, 70 anos, desempregado de Mogi das Cruzes (SP)
Já que os juros estão caindo, por que não revisar os financiamentos em andamento para a compra da casa própria, para reduzir o valor das prestações para milhares de famílias?
Presidente Fula – O Governo tem reduzido o custo dos financiamentos da casa própria para as famílias de baixa renda por meio de subsídios, que são até mais vantajosos que a redução dos juros. Se a sua mulher tem renda, notadamente na calcinha, mande que ela arranque a peça, fique de quatro, e se posicione com o rabo virado para a porta. Os subsídios vão aparecer como que caídos do céu. Devo lembrar que o Governo não pode alterar unilateralmente as condições de contratos de financiamentos em hipóteses nenhuma. No caso da Habitação de Interesse Social, reduzir as taxas de juros implicaria em uma infamante e vergonhosa inversão de papéis, ou seja, o Sistema de Habitação botaria na bunda do Governo com força, até os colhões, o que não seria um bom negócio, sem mencionar que se abatesse as taxas de juros, implicaria reduzir igualmente as taxas que são pagas aos que possuem contas do FGTS. Por isso, a opção pela política dos subsídios ser a única viável dentro do inviável mais ou menos viável. Os subsídios entram sem que se perceba e quando o cidadão se dá conta, tem um abacaxi de todo tamanho enfiado até a goela. Um bom exemplo é o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, para a construção de 1 milhão de moradias populares na Lua e em Marte. Famílias que ganham até três salários mínimos pagarão pela moradia apenas 10% da renda, durante 1000 anos. Ou seja, não desembolsarão um centavo de juros, concorrerão, apenas com uma pequena parte do valor do imóvel e o restante será subsidiado pela NASA, que fará a mudança desse pessoal com todos os seus cacarecos, para um desses planetas, levando, é claro, as famílias beneficiadas em ônibus espaciais de última geração. Trocado em miúdos, cada família receberá as chaves da sua casa própria um dia após ter baixado com os costados na sepultura. Basta que aquele membro da família que conseguir sobreviver, prove que seu ente querido foi enterrado como indigente. Para as famílias com renda entre três e seis salários mínimos, a taxa será de apenas 5% ao ano. Além disso, essa ralé contará com um subsídio extra: na prática funcionará desta forma. Assim que fizer a prova cabal de que a sua mulher está literalmente com o cano de descarga virado para a porta, pronta para entrar no ferro, o marido receberá um volume especial pelo correio, que poderá chegar, dependendo das gracinhas que ela improvisar com uma vara bem grande e grossa atolada na boca, a patamares de até R$ 23 mil.
EXPORTAÇÃO DE FRANGAS COM FEIÇÕES SUÍNAS
Catulo Balança Pende Pru’m Lado Só, 29 anos, coveiro de sepulturas para defuntos de Três Irmãos, (RJ)
Peço seu empenho para acelerarmos a abertura do mercado internacional para a carne de frangas brasileiras. Produzimos um excelente produto. Só a China tem potencial para importar toda nossa produção.
Presidente Fula – Em relação ao setor de carne de franga, o Brasil está marcando um gol atrás do outro. Só no último, se não me engano, foram chutados 151 para as cucuias, com aeronave e tudo. Em 2003, os EUA eram líderes em exportação e o Brasil ocupava o segundo lugar. Em 2004, nosso País tornou-se o maior exportador do produto e se mantém na liderança até hoje. Basta você assistir ao “Big Brother” e, agora, mais recentemente, o “No Limite”, para se convencer que as nossas frangas são as melhores do planeta, principalmente em matéria de bundas e peitos. Uma das razões do sucesso é que, além da competitividade brasileira, houve uma acirrada diversificação dos destinos das exportações. Em 2003, 124 países eram importadores do produto brasileiro, e, em 2008, esse número chegou a 143. Como pode perceber, as nossas frangas estão rodando o mundo e, logo, até Bin Laden estará se curvando às regalias de nossas granjas. Essa ampliação, acredito, seja fruto da ação governamental eficiente quanto aos acordos e disputas comerciais. Eu disse dis putas, e não dez putas. Recentemente, a China abriu as pernas e do meio delas, surgiu um mercado que, para o Brasil em questão de dias primou pelos resultados excepcionais alcançados. Em junho, enviamos aquele país, 373, 5 toneladas de carne de franga virgem, sem gonorréia, com todas as pregas do cu em dia e o melhor de tudo, sem problemas de HIV. Um crescimento de 401% sobre o mês anterior e de 423% sobre o mesmo mês de 2008. Com a abertura bem arreganhada do mercado chinês, agora, é que nenhum país conseguirá tirar a liderança do Brasil. Afinal de contas, frangas e putas são como políticos corruptos aqui na Capital deste Brasil Maravilhoso. Acredite companheiro, nasce uma franga com feições suínas a cada espirro que se dá no Senado.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
Parte 1
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Mande suas perguntas por e-mail picadura@botonocudospobresradioetelevisao.com.br ou por carta. Rua Mesmo Que Tu Não Abra Eu Enfio nº 171 Anexo II Mirante da Torre de Televisão Brasília DF.
TRATAMENTO ODONTOLÓGICO SEM DENTISTA
Carlos Cu Largo, 40 anos, trabalhador braçal sem os braços de Curitiba (PR)
Em propaganda que o elegeu o senhor anunciou que o Programa “Brasil Sorridente” seria um serviço odontológico com várias especializações. Em Curitiba, percorri vários postos e todos negaram a existência do serviço. Como posso beneficiar-me desse projeto?
Presidente Fula – Companheiro, eu cansei de ver crianças de 10 e 12 anos já sem os dentes. Vi inclusive, rapazes de 17 anos sem boca, procurando uma, nem que fosse de fumo. No lugar da boca desses jovens, vi panelas imensas, verdadeiras crateras, algumas delas maiores até que o rombo da Previdência. Tinha um rapazola, em São Bernardo do Campo, meio parecido com o Mão Santa, que trazia sobre uma prótese quebrada, uma folha do romance do Sarney. Até alguns anos atrás, o miseravelmente pobre não tinha tratamento de canal, tampouco restauração. Coitado, só podia arrancar os dentes! Hoje esse depauperado pode fazer tratamento de canal na puta que pariu e restauração na casa do caralho. Além da questão da saúde, os dentes são importantes para a autoestima, sobretudo na hora de procurar uma esquina para ficar feito um palhaço debaixo do semáforo, na frente dos carros, fazendo malabarismo com bolinhas ou engolindo fogo. O brasileiro é bom para fazer malabarismo. Esse dom parece que já nasce com a pessoa, acho que a coisa vem de berço. Outro dia, me deparei com um rapaz, aqui na porta do Palácio da Alvorada, muito vagamente esse mancebo me lembrou o Renan Calheiros, tentando enfiar três bananas no olho do cu com o pé esquerdo. Isso seria fácil, não fosse pelo fato dele ter uma venda nos olhos. Por essas coisas todas, criamos o “Brasil Sorridente”, formado por Centros de Especialidades Odontológicas, os Laboratórios de Prótese Dentária e as Equipes de Saúde Bucal. O município interessado solicita a implantação dos centros e cede o terreno. O Governo federal fornece os equipamentos e recursos para as obras e avisa o pessoal do MST. Após a invasão, perdão, após a implantação, o município ou o Estado passam a receber repasses federais e operam as unidades. Operam tanto que as unidades acabam morrendo na UTI. Hoje já existem 675 CEO’s em 574 municípios, mas só 2 funcionam. Já são 18.305 Equipes de Saúde Bucal no País a cata de desdentados e banguelas. Entre janeiro de 2005 e setembro de 2008, foram realizados 17 milhões de procedimentos nos CEO’s. Duvido que o companheiro encontre um cidadão sem dente ai pelas ruas. Pode procurar com todas as lamparinas do seu juízo. Vendo a Boariza se alguém me apontar um caraminguado, um só, com uma cárie ou uma obturação mal feita. Desde 2003, deixaram de ser arrancados mais de 3 milhões de dentes. E sabe por quê? Porque os profissionais dos CEO’s, todos formados em Camamú, nos cafundós da Bahia, não encontraram nenhum dente. Em Curitiba, onde você mora, existem 143 Equipes de Saúde Bucal, 3 CEO’s, 2 equipados com laboratórios, 1 inferno e 1 purgatório juntos, funcionando dia e noite. Para o prezado companheiro se informar sobre o programa (caso queira fazer um programa), ligue para o 080000000000-61111111111997777777777, do Mistério da Saúde. Lado outro, se necessitar de informações mais detalhadas, tente a Secretaria Municipal de Saúde. Se conseguir falar, por favor, me avise.
CASA PRÓPRIA PARA GOZO DE ALÉM TÚMULO
Ricardo Roendo Osso da Silva, 70 anos, desempregado de Mogi das Cruzes (SP)
Já que os juros estão caindo, por que não revisar os financiamentos em andamento para a compra da casa própria, para reduzir o valor das prestações para milhares de famílias?
Presidente Fula – O Governo tem reduzido o custo dos financiamentos da casa própria para as famílias de baixa renda por meio de subsídios, que são até mais vantajosos que a redução dos juros. Se a sua mulher tem renda, notadamente na calcinha, mande que ela arranque a peça, fique de quatro, e se posicione com o rabo virado para a porta. Os subsídios vão aparecer como que caídos do céu. Devo lembrar que o Governo não pode alterar unilateralmente as condições de contratos de financiamentos em hipóteses nenhuma. No caso da Habitação de Interesse Social, reduzir as taxas de juros implicaria em uma infamante e vergonhosa inversão de papéis, ou seja, o Sistema de Habitação botaria na bunda do Governo com força, até os colhões, o que não seria um bom negócio, sem mencionar que se abatesse as taxas de juros, implicaria reduzir igualmente as taxas que são pagas aos que possuem contas do FGTS. Por isso, a opção pela política dos subsídios ser a única viável dentro do inviável mais ou menos viável. Os subsídios entram sem que se perceba e quando o cidadão se dá conta, tem um abacaxi de todo tamanho enfiado até a goela. Um bom exemplo é o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, para a construção de 1 milhão de moradias populares na Lua e em Marte. Famílias que ganham até três salários mínimos pagarão pela moradia apenas 10% da renda, durante 1000 anos. Ou seja, não desembolsarão um centavo de juros, concorrerão, apenas com uma pequena parte do valor do imóvel e o restante será subsidiado pela NASA, que fará a mudança desse pessoal com todos os seus cacarecos, para um desses planetas, levando, é claro, as famílias beneficiadas em ônibus espaciais de última geração. Trocado em miúdos, cada família receberá as chaves da sua casa própria um dia após ter baixado com os costados na sepultura. Basta que aquele membro da família que conseguir sobreviver, prove que seu ente querido foi enterrado como indigente. Para as famílias com renda entre três e seis salários mínimos, a taxa será de apenas 5% ao ano. Além disso, essa ralé contará com um subsídio extra: na prática funcionará desta forma. Assim que fizer a prova cabal de que a sua mulher está literalmente com o cano de descarga virado para a porta, pronta para entrar no ferro, o marido receberá um volume especial pelo correio, que poderá chegar, dependendo das gracinhas que ela improvisar com uma vara bem grande e grossa atolada na boca, a patamares de até R$ 23 mil.
EXPORTAÇÃO DE FRANGAS COM FEIÇÕES SUÍNAS
Catulo Balança Pende Pru’m Lado Só, 29 anos, coveiro de sepulturas para defuntos de Três Irmãos, (RJ)
Peço seu empenho para acelerarmos a abertura do mercado internacional para a carne de frangas brasileiras. Produzimos um excelente produto. Só a China tem potencial para importar toda nossa produção.
Presidente Fula – Em relação ao setor de carne de franga, o Brasil está marcando um gol atrás do outro. Só no último, se não me engano, foram chutados 151 para as cucuias, com aeronave e tudo. Em 2003, os EUA eram líderes em exportação e o Brasil ocupava o segundo lugar. Em 2004, nosso País tornou-se o maior exportador do produto e se mantém na liderança até hoje. Basta você assistir ao “Big Brother” e, agora, mais recentemente, o “No Limite”, para se convencer que as nossas frangas são as melhores do planeta, principalmente em matéria de bundas e peitos. Uma das razões do sucesso é que, além da competitividade brasileira, houve uma acirrada diversificação dos destinos das exportações. Em 2003, 124 países eram importadores do produto brasileiro, e, em 2008, esse número chegou a 143. Como pode perceber, as nossas frangas estão rodando o mundo e, logo, até Bin Laden estará se curvando às regalias de nossas granjas. Essa ampliação, acredito, seja fruto da ação governamental eficiente quanto aos acordos e disputas comerciais. Eu disse dis putas, e não dez putas. Recentemente, a China abriu as pernas e do meio delas, surgiu um mercado que, para o Brasil em questão de dias primou pelos resultados excepcionais alcançados. Em junho, enviamos aquele país, 373, 5 toneladas de carne de franga virgem, sem gonorréia, com todas as pregas do cu em dia e o melhor de tudo, sem problemas de HIV. Um crescimento de 401% sobre o mês anterior e de 423% sobre o mesmo mês de 2008. Com a abertura bem arreganhada do mercado chinês, agora, é que nenhum país conseguirá tirar a liderança do Brasil. Afinal de contas, frangas e putas são como políticos corruptos aqui na Capital deste Brasil Maravilhoso. Acredite companheiro, nasce uma franga com feições suínas a cada espirro que se dá no Senado.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
O PRESIDENTE RESPONDE
Parte 1
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Mande suas perguntas por e-mail picadura@botonocudospobresradioetelevisao.com.br ou por carta. Rua Mesmo Que Tu Não Abra Eu Enfio nº 171 Anexo II Mirante da Torre de Televisão Brasília DF.
TRATAMENTO ODONTOLÓGICO SEM DENTISTA
Carlos Cu Largo, 40 anos, trabalhador braçal sem os braços de Curitiba (PR)
Em propaganda que o elegeu o senhor anunciou que o Programa “Brasil Sorridente” seria um serviço odontológico com várias especializações. Em Curitiba, percorri vários postos e todos negaram a existência do serviço. Como posso beneficiar-me desse projeto?
Presidente Fula – Companheiro, eu cansei de ver crianças de 10 e 12 anos já sem os dentes. Vi inclusive, rapazes de 17 anos sem boca, procurando uma, nem que fosse de fumo. No lugar da boca desses jovens, vi panelas imensas, verdadeiras crateras, algumas delas maiores até que o rombo da Previdência. Tinha um rapazola, em São Bernardo do Campo, meio parecido com o Mão Santa, que trazia sobre uma prótese quebrada, uma folha do romance do Sarney. Até alguns anos atrás, o miseravelmente pobre não tinha tratamento de canal, tampouco restauração. Coitado, só podia arrancar os dentes! Hoje esse depauperado pode fazer tratamento de canal na puta que pariu e restauração na casa do caralho. Além da questão da saúde, os dentes são importantes para a autoestima, sobretudo na hora de procurar uma esquina para ficar feito um palhaço debaixo do semáforo, na frente dos carros, fazendo malabarismo com bolinhas ou engolindo fogo. O brasileiro é bom para fazer malabarismo. Esse dom parece que já nasce com a pessoa, acho que a coisa vem de berço. Outro dia, me deparei com um rapaz, aqui na porta do Palácio da Alvorada, muito vagamente esse mancebo me lembrou o Renan Calheiros, tentando enfiar três bananas no olho do cu com o pé esquerdo. Isso seria fácil, não fosse pelo fato dele ter uma venda nos olhos. Por essas coisas todas, criamos o “Brasil Sorridente”, formado por Centros de Especialidades Odontológicas, os Laboratórios de Prótese Dentária e as Equipes de Saúde Bucal. O município interessado solicita a implantação dos centros e cede o terreno. O Governo federal fornece os equipamentos e recursos para as obras e avisa o pessoal do MST. Após a invasão, perdão, após a implantação, o município ou o Estado passam a receber repasses federais e operam as unidades. Operam tanto que as unidades acabam morrendo na UTI. Hoje já existem 675 CEO’s em 574 municípios, mas só 2 funcionam. Já são 18.305 Equipes de Saúde Bucal no País a cata de desdentados e banguelas. Entre janeiro de 2005 e setembro de 2008, foram realizados 17 milhões de procedimentos nos CEO’s. Duvido que o companheiro encontre um cidadão sem dente ai pelas ruas. Pode procurar com todas as lamparinas do seu juízo. Vendo a Boariza se alguém me apontar um caraminguado, um só, com uma cárie ou uma obturação mal feita. Desde 2003, deixaram de ser arrancados mais de 3 milhões de dentes. E sabe por quê? Porque os profissionais dos CEO’s, todos formados em Camamú, nos cafundós da Bahia, não encontraram nenhum dente. Em Curitiba, onde você mora, existem 143 Equipes de Saúde Bucal, 3 CEO’s, 2 equipados com laboratórios, 1 inferno e 1 purgatório juntos, funcionando dia e noite. Para o prezado companheiro se informar sobre o programa (caso queira fazer um programa), ligue para o 080000000000-61111111111997777777777, do Mistério da Saúde. Lado outro, se necessitar de informações mais detalhadas, tente a Secretaria Municipal de Saúde. Se conseguir falar, por favor, me avise.
CASA PRÓPRIA PARA GOZO DE ALÉM TÚMULO
Ricardo Roendo Osso da Silva, 70 anos, desempregado de Mogi das Cruzes (SP)
Já que os juros estão caindo, por que não revisar os financiamentos em andamento para a compra da casa própria, para reduzir o valor das prestações para milhares de famílias?
Presidente Fula – O Governo tem reduzido o custo dos financiamentos da casa própria para as famílias de baixa renda por meio de subsídios, que são até mais vantajosos que a redução dos juros. Se a sua mulher tem renda, notadamente na calcinha, mande que ela arranque a peça, fique de quatro, e se posicione com o rabo virado para a porta. Os subsídios vão aparecer como que caídos do céu. Devo lembrar que o Governo não pode alterar unilateralmente as condições de contratos de financiamentos em hipóteses nenhuma. No caso da Habitação de Interesse Social, reduzir as taxas de juros implicaria em uma infamante e vergonhosa inversão de papéis, ou seja, o Sistema de Habitação botaria na bunda do Governo com força, até os colhões, o que não seria um bom negócio, sem mencionar que se abatesse as taxas de juros, implicaria reduzir igualmente as taxas que são pagas aos que possuem contas do FGTS. Por isso, a opção pela política dos subsídios ser a única viável dentro do inviável mais ou menos viável. Os subsídios entram sem que se perceba e quando o cidadão se dá conta, tem um abacaxi de todo tamanho enfiado até a goela. Um bom exemplo é o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, para a construção de 1 milhão de moradias populares na Lua e em Marte. Famílias que ganham até três salários mínimos pagarão pela moradia apenas 10% da renda, durante 1000 anos. Ou seja, não desembolsarão um centavo de juros, concorrerão, apenas com uma pequena parte do valor do imóvel e o restante será subsidiado pela NASA, que fará a mudança desse pessoal com todos os seus cacarecos, para um desses planetas, levando, é claro, as famílias beneficiadas em ônibus espaciais de última geração. Trocado em miúdos, cada família receberá as chaves da sua casa própria um dia após ter baixado com os costados na sepultura. Basta que aquele membro da família que conseguir sobreviver, prove que seu ente querido foi enterrado como indigente. Para as famílias com renda entre três e seis salários mínimos, a taxa será de apenas 5% ao ano. Além disso, essa ralé contará com um subsídio extra: na prática funcionará desta forma. Assim que fizer a prova cabal de que a sua mulher está literalmente com o cano de descarga virado para a porta, pronta para entrar no ferro, o marido receberá um volume especial pelo correio, que poderá chegar, dependendo das gracinhas que ela improvisar com uma vara bem grande e grossa atolada na boca, a patamares de até R$ 23 mil.
EXPORTAÇÃO DE FRANGAS COM FEIÇÕES SUÍNAS
Catulo Balança Pende Pru’m Lado Só, 29 anos, coveiro de sepulturas para defuntos de Três Irmãos, (RJ)
Peço seu empenho para acelerarmos a abertura do mercado internacional para a carne de frangas brasileiras. Produzimos um excelente produto. Só a China tem potencial para importar toda nossa produção.
Presidente Fula – Em relação ao setor de carne de franga, o Brasil está marcando um gol atrás do outro. Só no último, se não me engano, foram chutados 151 para as cucuias, com aeronave e tudo. Em 2003, os EUA eram líderes em exportação e o Brasil ocupava o segundo lugar. Em 2004, nosso País tornou-se o maior exportador do produto e se mantém na liderança até hoje. Basta você assistir ao “Big Brother” e, agora, mais recentemente, o “No Limite”, para se convencer que as nossas frangas são as melhores do planeta, principalmente em matéria de bundas e peitos. Uma das razões do sucesso é que, além da competitividade brasileira, houve uma acirrada diversificação dos destinos das exportações. Em 2003, 124 países eram importadores do produto brasileiro, e, em 2008, esse número chegou a 143. Como pode perceber, as nossas frangas estão rodando o mundo e, logo, até Bin Laden estará se curvando às regalias de nossas granjas. Essa ampliação, acredito, seja fruto da ação governamental eficiente quanto aos acordos e disputas comerciais. Eu disse dis putas, e não dez putas. Recentemente, a China abriu as pernas e do meio delas, surgiu um mercado que, para o Brasil em questão de dias primou pelos resultados excepcionais alcançados. Em junho, enviamos aquele país, 373, 5 toneladas de carne de franga virgem, sem gonorréia, com todas as pregas do cu em dia e o melhor de tudo, sem problemas de HIV. Um crescimento de 401% sobre o mês anterior e de 423% sobre o mesmo mês de 2008. Com a abertura bem arreganhada do mercado chinês, agora, é que nenhum país conseguirá tirar a liderança do Brasil. Afinal de contas, frangas e putas são como políticos corruptos aqui na Capital deste Brasil Maravilhoso. Acredite companheiro, nasce uma franga com feições suínas a cada espirro que se dá no Senado.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
Praia da Costa, Vila Velha 25 de agosto de 2009.
Parte 1
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Mande suas perguntas por e-mail picadura@botonocudospobresradioetelevisao.com.br ou por carta. Rua Mesmo Que Tu Não Abra Eu Enfio nº 171 Anexo II Mirante da Torre de Televisão Brasília DF.
TRATAMENTO ODONTOLÓGICO SEM DENTISTA
Carlos Cu Largo, 40 anos, trabalhador braçal sem os braços de Curitiba (PR)
Em propaganda que o elegeu o senhor anunciou que o Programa “Brasil Sorridente” seria um serviço odontológico com várias especializações. Em Curitiba, percorri vários postos e todos negaram a existência do serviço. Como posso beneficiar-me desse projeto?
Presidente Fula – Companheiro, eu cansei de ver crianças de 10 e 12 anos já sem os dentes. Vi inclusive, rapazes de 17 anos sem boca, procurando uma, nem que fosse de fumo. No lugar da boca desses jovens, vi panelas imensas, verdadeiras crateras, algumas delas maiores até que o rombo da Previdência. Tinha um rapazola, em São Bernardo do Campo, meio parecido com o Mão Santa, que trazia sobre uma prótese quebrada, uma folha do romance do Sarney. Até alguns anos atrás, o miseravelmente pobre não tinha tratamento de canal, tampouco restauração. Coitado, só podia arrancar os dentes! Hoje esse depauperado pode fazer tratamento de canal na puta que pariu e restauração na casa do caralho. Além da questão da saúde, os dentes são importantes para a autoestima, sobretudo na hora de procurar uma esquina para ficar feito um palhaço debaixo do semáforo, na frente dos carros, fazendo malabarismo com bolinhas ou engolindo fogo. O brasileiro é bom para fazer malabarismo. Esse dom parece que já nasce com a pessoa, acho que a coisa vem de berço. Outro dia, me deparei com um rapaz, aqui na porta do Palácio da Alvorada, muito vagamente esse mancebo me lembrou o Renan Calheiros, tentando enfiar três bananas no olho do cu com o pé esquerdo. Isso seria fácil, não fosse pelo fato dele ter uma venda nos olhos. Por essas coisas todas, criamos o “Brasil Sorridente”, formado por Centros de Especialidades Odontológicas, os Laboratórios de Prótese Dentária e as Equipes de Saúde Bucal. O município interessado solicita a implantação dos centros e cede o terreno. O Governo federal fornece os equipamentos e recursos para as obras e avisa o pessoal do MST. Após a invasão, perdão, após a implantação, o município ou o Estado passam a receber repasses federais e operam as unidades. Operam tanto que as unidades acabam morrendo na UTI. Hoje já existem 675 CEO’s em 574 municípios, mas só 2 funcionam. Já são 18.305 Equipes de Saúde Bucal no País a cata de desdentados e banguelas. Entre janeiro de 2005 e setembro de 2008, foram realizados 17 milhões de procedimentos nos CEO’s. Duvido que o companheiro encontre um cidadão sem dente ai pelas ruas. Pode procurar com todas as lamparinas do seu juízo. Vendo a Boariza se alguém me apontar um caraminguado, um só, com uma cárie ou uma obturação mal feita. Desde 2003, deixaram de ser arrancados mais de 3 milhões de dentes. E sabe por quê? Porque os profissionais dos CEO’s, todos formados em Camamú, nos cafundós da Bahia, não encontraram nenhum dente. Em Curitiba, onde você mora, existem 143 Equipes de Saúde Bucal, 3 CEO’s, 2 equipados com laboratórios, 1 inferno e 1 purgatório juntos, funcionando dia e noite. Para o prezado companheiro se informar sobre o programa (caso queira fazer um programa), ligue para o 080000000000-61111111111997777777777, do Mistério da Saúde. Lado outro, se necessitar de informações mais detalhadas, tente a Secretaria Municipal de Saúde. Se conseguir falar, por favor, me avise.
CASA PRÓPRIA PARA GOZO DE ALÉM TÚMULO
Ricardo Roendo Osso da Silva, 70 anos, desempregado de Mogi das Cruzes (SP)
Já que os juros estão caindo, por que não revisar os financiamentos em andamento para a compra da casa própria, para reduzir o valor das prestações para milhares de famílias?
Presidente Fula – O Governo tem reduzido o custo dos financiamentos da casa própria para as famílias de baixa renda por meio de subsídios, que são até mais vantajosos que a redução dos juros. Se a sua mulher tem renda, notadamente na calcinha, mande que ela arranque a peça, fique de quatro, e se posicione com o rabo virado para a porta. Os subsídios vão aparecer como que caídos do céu. Devo lembrar que o Governo não pode alterar unilateralmente as condições de contratos de financiamentos em hipóteses nenhuma. No caso da Habitação de Interesse Social, reduzir as taxas de juros implicaria em uma infamante e vergonhosa inversão de papéis, ou seja, o Sistema de Habitação botaria na bunda do Governo com força, até os colhões, o que não seria um bom negócio, sem mencionar que se abatesse as taxas de juros, implicaria reduzir igualmente as taxas que são pagas aos que possuem contas do FGTS. Por isso, a opção pela política dos subsídios ser a única viável dentro do inviável mais ou menos viável. Os subsídios entram sem que se perceba e quando o cidadão se dá conta, tem um abacaxi de todo tamanho enfiado até a goela. Um bom exemplo é o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, para a construção de 1 milhão de moradias populares na Lua e em Marte. Famílias que ganham até três salários mínimos pagarão pela moradia apenas 10% da renda, durante 1000 anos. Ou seja, não desembolsarão um centavo de juros, concorrerão, apenas com uma pequena parte do valor do imóvel e o restante será subsidiado pela NASA, que fará a mudança desse pessoal com todos os seus cacarecos, para um desses planetas, levando, é claro, as famílias beneficiadas em ônibus espaciais de última geração. Trocado em miúdos, cada família receberá as chaves da sua casa própria um dia após ter baixado com os costados na sepultura. Basta que aquele membro da família que conseguir sobreviver, prove que seu ente querido foi enterrado como indigente. Para as famílias com renda entre três e seis salários mínimos, a taxa será de apenas 5% ao ano. Além disso, essa ralé contará com um subsídio extra: na prática funcionará desta forma. Assim que fizer a prova cabal de que a sua mulher está literalmente com o cano de descarga virado para a porta, pronta para entrar no ferro, o marido receberá um volume especial pelo correio, que poderá chegar, dependendo das gracinhas que ela improvisar com uma vara bem grande e grossa atolada na boca, a patamares de até R$ 23 mil.
EXPORTAÇÃO DE FRANGAS COM FEIÇÕES SUÍNAS
Catulo Balança Pende Pru’m Lado Só, 29 anos, coveiro de sepulturas para defuntos de Três Irmãos, (RJ)
Peço seu empenho para acelerarmos a abertura do mercado internacional para a carne de frangas brasileiras. Produzimos um excelente produto. Só a China tem potencial para importar toda nossa produção.
Presidente Fula – Em relação ao setor de carne de franga, o Brasil está marcando um gol atrás do outro. Só no último, se não me engano, foram chutados 151 para as cucuias, com aeronave e tudo. Em 2003, os EUA eram líderes em exportação e o Brasil ocupava o segundo lugar. Em 2004, nosso País tornou-se o maior exportador do produto e se mantém na liderança até hoje. Basta você assistir ao “Big Brother” e, agora, mais recentemente, o “No Limite”, para se convencer que as nossas frangas são as melhores do planeta, principalmente em matéria de bundas e peitos. Uma das razões do sucesso é que, além da competitividade brasileira, houve uma acirrada diversificação dos destinos das exportações. Em 2003, 124 países eram importadores do produto brasileiro, e, em 2008, esse número chegou a 143. Como pode perceber, as nossas frangas estão rodando o mundo e, logo, até Bin Laden estará se curvando às regalias de nossas granjas. Essa ampliação, acredito, seja fruto da ação governamental eficiente quanto aos acordos e disputas comerciais. Eu disse dis putas, e não dez putas. Recentemente, a China abriu as pernas e do meio delas, surgiu um mercado que, para o Brasil em questão de dias primou pelos resultados excepcionais alcançados. Em junho, enviamos aquele país, 373, 5 toneladas de carne de franga virgem, sem gonorréia, com todas as pregas do cu em dia e o melhor de tudo, sem problemas de HIV. Um crescimento de 401% sobre o mês anterior e de 423% sobre o mesmo mês de 2008. Com a abertura bem arreganhada do mercado chinês, agora, é que nenhum país conseguirá tirar a liderança do Brasil. Afinal de contas, frangas e putas são como políticos corruptos aqui na Capital deste Brasil Maravilhoso. Acredite companheiro, nasce uma franga com feições suínas a cada espirro que se dá no Senado.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista
Praia da Costa, Vila Velha 25 de agosto de 2009.
"GENTILEZAS".
Gentilezas
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
“...Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta...”
Com certeza foram os vândalos. Essa turma de garotos desocupados que andam por ai, pela calada da noite, pichando as paredes das casas, as portas dos comerciantes, as entradas e saídas das residências. Foram, sem dúvida alguma, esses delinqüentes recalcados que vivem à margem da sociedade, em busca de um mundo que não existe. Os mesmos que fumam craque, que cheiram cola de sapateiro, que vendem buchas de maconha. Talvez os mesmos que estão acostumados a apertar o gatilho de uma arma de fogo e sem mais nem menos tirar, por trinta moedas de prata, a vida de um ser humano.
“...Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade
merecemos ler as letras
e as palavras de gentileza...”
Naquele muro enorme defronte a casa onde moro, alguém havia escrito um poema. Não de Neruda, ou de Quintana, tampouco de Vinícius ou Drumonnd, mas de um desconhecido. Com certeza de um ser solitário que ama a vida e dela procura tirar o que há de melhor.
“...Há algo sempre em ti que me provoca
E me apaixona como adolescente,
Paixão febril, loucura inconseqüente
Que no âmago do amor perene toca.
No mundo do carinho estou carente
Como a ave sem ovos, que não choca,
E sôfrego, meu sangue se empipoca
Nas convulsões do sexo e da mente.
Meu membro vibra ao tato das tuas coxas,
As minhas veias tingem-se de roxas,
E o meu tesão deságua-se precoce;
E não consigo conseguir-te orgasmo,
Te quero em demasia, vão pleonasmo,
Num gozo que te roubo sem ter posse...” (*)
Pois é! Apagaram tudo. Destruíram, danificaram, tiraram do muro enorme aquelas palavras bonitas que faziam a gente crescer por dentro, que embalava nossos sonhos, e que nos fazia pisar em estrelas, voar muito além da imaginação alcançada pelos olhos. Não sei porque. Pintaram tudo de cinza. Estraçalharam as gentilezas que um poeta, mais que um poeta, um profeta havia deixado para nós, “nós que passamos apressados”, por essa rua, por aquela outra, enfim, pelos becos, guetos e vias dessa cidade enorme, disforme, agitada, conturbada, cheia de mistérios e dissabores. Apesar da tinta, eu lembro:
“... Minha primeira palavra
Foi um Ah...!
Não porque tivesse nascido,
Mas porque havia ficado
Em silêncio por muito tempo...”
Marisa Monte tem razão quando canta, mais que canta, encanta:
“...Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade
merecemos ler as letras
e as palavras de gentileza...”
Não há dúvidas. Essas palavras ficaram presas no vai e vem do pincel. As gentilezas do pensador anônimo estão cobertas de tinta. O muro branco, enorme, ficou vazio, mudo, tristonho, coberto de tinta. Pintaram tudo de cinza. Todavia, ainda assim, e sobretudo, o que no muro estava escrito, não se apagou da minha mente. E certamente não se apagará, jamais, daquelas que igual a mim buscam no amanhã um porvir melhor. Mesmo que no frio da imensa solidão hibernal, cujo vento cortante congela narizes orelhas e lábios, ainda assim há de prevalecer o bom senso das pessoas sensatas e de espírito tranqüilizador.
Não tenho, bem sei, como saber quem destruiu o cartão postal que havia no muro. Quem apagou o “faça o amor, não a guerra” e o “dê uma chance à Paz!”, deixando em seu lugar um lençol de lama cinza como a esconder o rastro dos que passaram às carreiras, temerosos de serem descobertos por alguém que amava cada palavra que ali estava escrita. Mas em mim vão permanecer gravadas a fogo:
“...O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta...”
O mundo é uma escola. Esses infelizes que pintaram o muro de cinza, palhaços rindo de si mesmos, diante da estupidez a que estão presos, ficarão boquiabertos diante das cicatrizes abertas em suas testas. Obras deles. Muitos se ferirão. Outros se arrependerão das loucuras, não só das loucuras, mas igualmente das dores e dos anseios daqueles que passaram e continuarão passando diante do muro coberto de cinza, à espera das gentilezas que antes embelezavam a vida e o coração de quem simplesmente caminhava, por ali, despreocupado, e parava, extasiado, boquiaberto, diante do muro.
(*) Momento musical: Mariza Monte CD Gentileza
(**) (Há Algo Sempre Em Ti que Me Provoca de Jorge Tannuri, in “Sonetos Fesceninos”).
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
“...Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta...”
Com certeza foram os vândalos. Essa turma de garotos desocupados que andam por ai, pela calada da noite, pichando as paredes das casas, as portas dos comerciantes, as entradas e saídas das residências. Foram, sem dúvida alguma, esses delinqüentes recalcados que vivem à margem da sociedade, em busca de um mundo que não existe. Os mesmos que fumam craque, que cheiram cola de sapateiro, que vendem buchas de maconha. Talvez os mesmos que estão acostumados a apertar o gatilho de uma arma de fogo e sem mais nem menos tirar, por trinta moedas de prata, a vida de um ser humano.
“...Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade
merecemos ler as letras
e as palavras de gentileza...”
Naquele muro enorme defronte a casa onde moro, alguém havia escrito um poema. Não de Neruda, ou de Quintana, tampouco de Vinícius ou Drumonnd, mas de um desconhecido. Com certeza de um ser solitário que ama a vida e dela procura tirar o que há de melhor.
“...Há algo sempre em ti que me provoca
E me apaixona como adolescente,
Paixão febril, loucura inconseqüente
Que no âmago do amor perene toca.
No mundo do carinho estou carente
Como a ave sem ovos, que não choca,
E sôfrego, meu sangue se empipoca
Nas convulsões do sexo e da mente.
Meu membro vibra ao tato das tuas coxas,
As minhas veias tingem-se de roxas,
E o meu tesão deságua-se precoce;
E não consigo conseguir-te orgasmo,
Te quero em demasia, vão pleonasmo,
Num gozo que te roubo sem ter posse...” (*)
Pois é! Apagaram tudo. Destruíram, danificaram, tiraram do muro enorme aquelas palavras bonitas que faziam a gente crescer por dentro, que embalava nossos sonhos, e que nos fazia pisar em estrelas, voar muito além da imaginação alcançada pelos olhos. Não sei porque. Pintaram tudo de cinza. Estraçalharam as gentilezas que um poeta, mais que um poeta, um profeta havia deixado para nós, “nós que passamos apressados”, por essa rua, por aquela outra, enfim, pelos becos, guetos e vias dessa cidade enorme, disforme, agitada, conturbada, cheia de mistérios e dissabores. Apesar da tinta, eu lembro:
“... Minha primeira palavra
Foi um Ah...!
Não porque tivesse nascido,
Mas porque havia ficado
Em silêncio por muito tempo...”
Marisa Monte tem razão quando canta, mais que canta, encanta:
“...Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade
merecemos ler as letras
e as palavras de gentileza...”
Não há dúvidas. Essas palavras ficaram presas no vai e vem do pincel. As gentilezas do pensador anônimo estão cobertas de tinta. O muro branco, enorme, ficou vazio, mudo, tristonho, coberto de tinta. Pintaram tudo de cinza. Todavia, ainda assim, e sobretudo, o que no muro estava escrito, não se apagou da minha mente. E certamente não se apagará, jamais, daquelas que igual a mim buscam no amanhã um porvir melhor. Mesmo que no frio da imensa solidão hibernal, cujo vento cortante congela narizes orelhas e lábios, ainda assim há de prevalecer o bom senso das pessoas sensatas e de espírito tranqüilizador.
Não tenho, bem sei, como saber quem destruiu o cartão postal que havia no muro. Quem apagou o “faça o amor, não a guerra” e o “dê uma chance à Paz!”, deixando em seu lugar um lençol de lama cinza como a esconder o rastro dos que passaram às carreiras, temerosos de serem descobertos por alguém que amava cada palavra que ali estava escrita. Mas em mim vão permanecer gravadas a fogo:
“...O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta...”
O mundo é uma escola. Esses infelizes que pintaram o muro de cinza, palhaços rindo de si mesmos, diante da estupidez a que estão presos, ficarão boquiabertos diante das cicatrizes abertas em suas testas. Obras deles. Muitos se ferirão. Outros se arrependerão das loucuras, não só das loucuras, mas igualmente das dores e dos anseios daqueles que passaram e continuarão passando diante do muro coberto de cinza, à espera das gentilezas que antes embelezavam a vida e o coração de quem simplesmente caminhava, por ali, despreocupado, e parava, extasiado, boquiaberto, diante do muro.
(*) Momento musical: Mariza Monte CD Gentileza
(**) (Há Algo Sempre Em Ti que Me Provoca de Jorge Tannuri, in “Sonetos Fesceninos”).
Assinar:
Postagens (Atom)
